
As maiores produtoras de frango e carne bovina do Brasil apostam suas fichas na Copa do Mundo de futebol masculino, que começa em pouco mais de uma semana, para impulsionar vendas. No caso da carne bovina, há expectativa inclusive que o evento seja um divisor de águas no consumo per capita.
A Sadia, marca de aves e suínos da MBRF e patrocinadora oficial da seleção brasileira, acredita que o consumo de seus produtos durante o evento será tão volumoso quanto no Dia das Mães e nas celebrações de fim de ano.
A marca também será patrocinadora oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030. Com isso, fará o fornecimento de proteínas aos atletas da seleção durante a Copa, assim como a outras 19 seleções da CBF — o que inclui, por exemplo, categorias de base e feminina de futebol — nos próximos quatro anos.
A estimativa é entregar cerca de duas toneladas por mês aos cerca de 160 integrantes de todas as equipes. O volume pode chegar perto de 100 toneladas em quatro anos, segundo a empresa.
“A seleção, independentemente do período, é uma paixão nacional . Por isso, estamos muito felizes de ver nossa marca ligada à seleção, ainda mais agora com a Marfrig e a BRF em uma empresa única, as oportunidades são potencializadas”, disse Miguel Gularte, diretor-executivo da MBRF.
Depois de um primeiro trimestre de vendas 5,5% menores no mercado doméstico, na comparação anual, a BRF, por meio da marca Sadia, aposta no torneio como um dos principais motores de seu crescimento do ano.
A expectativa é aumentar em até 50% o volume vendido durante o mundial, em comparação à edição de 2022, com o impulso do consumo de produtos como linguiças, salames, empanados e itens para churrasco.
A estimativa é sustentada tanto pelo histórico de vendas em copas anteriores quanto pelo comportamento dos consumidores nos últimos meses. Segundo dados da Winnin, plataforma de inteligência de consumo, o interesse pelo torneio já vem crescendo de forma acelerada nas redes sociais. O engajamento relacionado à Copa passou de cerca de 20 milhões de interações mensais no início do ano para 240 milhões em maio.
Para aproveitar o esperado crescimento, a Sadia preparou produtos especiais, com o lançamento de 20 itens temáticos da Copa e uma promoção com brindes oficiais da seleção brasileira para consumidores que comprarem produtos participantes. O planejamento das ações começou em janeiro deste ano.
“A procura pelos nossos produtos aumenta de forma significativa nos dias de jogos. Por isso, começamos a nos preparar com bastante antecedência”, disse Manoel Martins, vice-presidente de mercado Brasil e Marketing da MBRF.
A Seara, marca de carne de aves e suínos da JBS, também espera aumento semelhante ao da Sadia, de 40% do volume vendido em relação à Copa passada. Diferentemente do evento anterior, em que a empresa buscou impulsionar as vendas de produtos de forma individualizada, neste ano a companhia busca emplacar a ideia do “1º tempo do churrasco”, disse o presidente da Seara, João Campos.
“O churrasco brasileiro tem dois momentos. Tem a abertura, que é a linguiça, o frango, o suíno, às vezes um pão de alho, o petisco. Depois vai para o bovino. Fazendo alusão ao futebol, estamos dando foco na ideia de que o primeiro tempo do churrasco é tão importante quanto o segundo”, disse Campos.
A empresa lançou kits churrasco, a exemplo dos kits natalinos, com diversos produtos da marca tradicionalmente usados em churrasco.
No caso da Friboi, responsável pelos negócios de carne bovina da JBS no Brasil, a expectativa é aumentar as vendas em cima de uma base já superior à da Copa de 2022, dado o avanço do consumo de carne bovina no país nos últimos anos, disse o diretor executivo comercial da Friboi, Leonardo Monteiro.
A empresa espera elevar em 10% as vendas durante o mundial de futebol, em relação a um período sem o evento. Nos dias de jogos, contudo, a expectativa é de uma comercialização de produtos ao menos 20% maior do que em dias sem partida, conforme o executivo.
O executivo vê a Copa do Mundo como um “divisor de águas” no consumo per capita de carne bovina no Brasil. Por isso, a empresa reforçou sua equipe de promotores de vendas nos supermercados em 20% em todo o Brasil, não apenas para reforçar o atendimento durante a Copa como também apoiar o esperado crescimento após o mundial.
Outro ponto favorável às vendas neste Mundial, apontando tanto por MBRF como JBS, são os horários dos jogos da seleção brasileira. Na primeira fase do campeonato, a equipe joga apenas durante a noite, período tradicionalmente associado a reuniões familiares, churrasco e encontros entre amigos.
Além disso, as empresas terão todo o dia para abastecer mercados e vender, diferentemente do que ocorreu em Copas anteriores, com jogos da seleção no meio do dia.
Outro fator específico que estimula o consumo no mundial deste ano é o maior número de partidas, 104 no todo, 40 a mais do que na última edição. Isso acontecerá para acomodar 48 seleções, bem acima das 32 da Copa passada.
Fonte: Globo Rural.