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Cresce exportação de carne bovina a árabes

A crise provocada pela vaca louca intensificou as vendas de frigoríficos brasileiros a países do Oriente Médio e norte da África, que reduziram ou suspenderam as importações de carne bovina européia, segundo reportagem de José Alberto Gonçalves, publicada hoje na Gazeta Mercantil. Milhares de toneladas foram contratadas desde dezembro para embarques a Irã, Egito, Jordânia e Arábia Saudita. Os frigoríficos não detalham volumes totais acrescidos com esses novos mercados, mas confirmam que centenas de novas consultas e negócios estão sendo fechados desde novembro.

Embora o mercado árabe importe cortes mais baratos do boi, como os do dianteiro (acém e paleta, por exemplo) e partes menos nobres do traseiro, como patinho, coxão mole e lagarto, o adicional de vendas à região pode ajudar a indústria do Brasil a compensar parte das perdas nos negócios com a Europa. Os frigoríficos brasileiros recebem perto de US$ 1.500 a tonelada com o dianteiro embarcado ao Egito. Já o filé mignon é comprado pelos europeus a US$ 6.500 a tonelada.

A dúvida entre analistas e fontes da indústria é o tamanho do rombo que a queda nas vendas à Europa provocará na receita das exportações àquele continente. Importadores europeus que pensavam em retomar suas compras do Brasil voltaram a suspender suas consultas esta semana depois que foi revelado um caso de vaca louca num frigorífico da italiana Cremonini, que fornece carne ao McDonald’s. Eles contam com a normalização do comércio até março próximo, embora com patamar de preços pelo menos 10% menor que o do período anterior à descoberta de produto contaminado em supermercados da rede Carrefour, na França, no fim de outubro passado. Mas comemoram o aumento das exportações para mercados pouco tradicionais da indústria brasileira.

O Egito, que importa anualmente cerca de 150 mil toneladas de carne bovina, principalmente da Europa, é considerado um dos mais promissores mercados árabes para a indústria brasileira. Há a expectativa, também, de que países clientes dos frigoríficos europeus, como África do Sul e outras nações do norte africano, como Marrocos, Líbia e Argélia, passem a adquirir o produto brasileiro nos próximos meses.

Rússia, Leste Europeu, China e Tailândia são outros alvos cobiçados pelos frigoríficos brasileiros, que estão vasculhando oportunidades de negócios em países clientes da Europa Ocidental. No início de fevereiro, Ministério da Agricultura e Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes Industrializadas (Abiec) devem anunciar um pacote de medidas para alavancar as exportações de carne bovina do Brasil, informa Edvar Vilela de Queiroz, presidente da entidade.

Oriente Médio e Extremo-Oriente abocanharam no ano passado 11% das exportações brasileiras de carne bovina, de US$ 525 milhões na conta de janeiro a novembro das empresas associadas da Abiec. A Europa continuou sendo o principal mercado da indústria brasileira, com participação de 64% nas vendas dos associados da entidade, que representam perto de 80% das exportações totais do Brasil, estimadas em quase US$ 800 milhões em 2000.

Porém, a redução no consumo de carne bovina, motivada pela crise da vaca louca, deverá baixar a fatia européia nas exportações brasileiras para perto de 50% este ano, prevê uma fonte da indústria. Somados os frigoríficos não-associados da Abiec, a participação da Europa cairia para menos da metade dos embarques brasileiros em 2001.

Outro fator positivo da procura de carne sul-americana pelos árabes é o ajuste de preços na carne comprada pela região. O subsídio concedido aos europeus deprimia os preços pagos pelos árabes. Um corte de dianteiro, por exemplo, era vendido a US$ 1.300 a tonelada ao Egito pelos frigoríficos europeus, graças à concessão de subsídio de US$ 1.500 a tonelada. O produtor europeu acaba recebendo US$ 2.800. Agora, para adquirir carne da América do Sul, o Egito paga mais para comprar o produto brasileiro, perto de US$ 1.800 a toneladas. O frigorífico recebe de fato cerca de US$ 1.500.

Por José Alberto Gonçalves, para Gazeta Mercantil, 18/01/01

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