
Com uma combinação de maior volume embarcado e, sobretudo, uma marcada recuperação dos preços internacionais, as exportações de carne bovina da Argentina tiveram um crescimento importante durante o primeiro trimestre do ano, segundo um relatório do Consórcio ABC, entidade que reúne os frigoríficos exportadores.
Somente em março, as exportações alcançaram cerca de 62 mil toneladas em peso produto, por um valor de US$ 419 milhões, o que representou um salto de 25,1% em volume e de 34% em valor em relação a fevereiro. E, na comparação interanual, os embarques cresceram 38,5% frente a março de 2025, enquanto a entrada de divisas praticamente dobrou, com um aumento de 97,9%.
No entanto, o dado mais relevante aparece no acumulado entre janeiro e março. Nesse período, as exportações totalizaram 164 mil toneladas, por um valor próximo de US$ 1,071 bilhão. Em termos interanuais, isso representa um aumento de 14,3% em volume, mas um salto muito mais expressivo de 52,9% em valor, evidenciando que o principal motor do crescimento foi a melhora nos preços internacionais.
“O crescimento do valor exportado reflete não apenas maiores quantidades, mas também uma recuperação sustentada dos preços”, explicou Mario Ravettino, presidente do Consórcio ABC.
Em março, o preço médio de exportação ficou em US$ 6.802 por tonelada, com alta de 7,1% em relação a fevereiro e de 42,9% na comparação com um ano antes. Esse nível se aproxima dos máximos registrados em 2022 e confirma a tendência de recuperação iniciada ao longo de 2025, após um período de queda que havia levado os valores a um piso próximo de US$ 3.740 por tonelada em meados de 2024. Essa recomposição de preços explica, em grande parte, a forte entrada de dólares observada no início do ano.
Quanto aos destinos, a China se mantém como o principal comprador, concentrando mais de 60% dos embarques tanto em março quanto no acumulado do trimestre. A demanda do gigante asiático continua sendo determinante para o setor, especialmente nos cortes congelados e produtos de menor valor relativo, embora com preços que também mostram sinais de recuperação.
Ao mesmo tempo, outros mercados relevantes trazem dinamismo e diversificação. Os Estados Unidos se consolidaram como o segundo destino em março, impulsionados pela ampliação do contingente tarifário, enquanto Israel manteve uma demanda firme por carne kosher, com valores superiores a US$ 10.000 por tonelada. Por sua vez, a Europa apresentou recuperação nos embarques de cortes de alto valor, favorecida por bons preços que aceleraram o cumprimento da cota Hilton, e o Chile demonstrou melhora na demanda por carne resfriada.
Além disso, as vendas de miúdos e preparações bovinas também contribuíram para a entrada de divisas, com 10,7 mil toneladas exportadas em março, somando US$ 27,2 milhões, e um acumulado trimestral de 27,4 mil toneladas, totalizando US$ 69,1 milhões.
Dentro do complexo exportador, a carne bovina congelada desossada se consolida como o segmento mais dinâmico e o principal gerador de divisas. De acordo com dados do Consórcio ABC, em março foram exportadas 34 mil toneladas, por um valor de US$ 230 milhões, com preço médio de US$ 6.675 por tonelada.
O crescimento foi significativo tanto na comparação mensal quanto interanual: os embarques aumentaram 22% em relação a fevereiro e 43% frente a março de 2025.
Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas para os Estados Unidos, a partir da ampliação da cota livre de tarifas, que passou a 80 mil toneladas, e em menor medida pela demanda contínua da China.
A vigência da cota de exportação de 80 mil toneladas sem tarifas começou em março e está dividida em 20 mil toneladas por trimestre. A cota do primeiro trimestre não pôde ser totalmente cumprida por questões de prazo.
No acumulado do primeiro trimestre, esse segmento atingiu 93 mil toneladas exportadas, um aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos de valor, o crescimento é ainda mais expressivo: gerou receitas próximas de US$ 603 milhões, o que representa um aumento interanual de 53%.
Fonte: Clarín, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.