
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que a União Europeia se precipitou ao retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros derivados de produtos animais para lá de acordo com as regras de uso de antibióticos. Mesmo assim, ele disse que o país precisa ficar “mais atento” para não sofrer reveses como esse “tão facilmente”.
O executivo disse que o tema escalou dentro do governo e que a alta cúpula do Executivo está envolvida diretamente agora para buscar uma solução para o caso rapidamente, como o Itamaraty e o Palácio do Planalto.
“A Europa se precipitou nessa tomada de decisão, de retirar o Brasil da lista. Existiam negociações de andamento entre o Ministério da Agricultura e a autoridade europeia, mas é claro que a gente precisa ficar mais atento, não deixar as coisas transcorrerem assim tão facilmente”, afirmou em entrevista ao Valor nesta quinta-feira (14/5).
Em 2025, o Brasil exportou mais de 128 mil toneladas de carne bovina para o bloco europeu, negócios que renderam US$ 1 bilhão de faturamento para os frigoríficos nacionais.
Perosa reforçou a posição de que há tempo viável para reverter a situação e para manter a normalidade das exportações de carne bovina para o bloco europeu. “Nós estamos dando todo o suporte possível, com as nossas sugestões, mas a negociação está na mão do Ministério da Agricultura. Agora é o momento em que isso subiu de nível, as negociações também passam por todo o governo brasileiro”, destacou. “Eu acredito que vai resolver até pelo tamanho dos entes políticos envolvidos agora”, concluiu.
Uma fonte a par do assunto no Brasil informou que uma sugestão de protocolo para garantia de controle do não uso de antibióticos nos bovinos foi elaborada ainda em 2025, mas o Ministério da Agricultura não apresentou aos europeus. Agora, depois da exclusão do país da lista dos países aptos a exportar a partir de setembro, a Pasta teria enviado o documento. “Foi falha”, resumiu.
Na quarta-feira (13/5), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse em Brasília que o Brasil dará uma resposta aos europeus em 15 dias. Em nota, o Ministério da Agricultura comentou as agendas que teve com autoridades da UE e afirmou que ficou acordado o envio, em cerca de 10 dias, das “informações adicionais para a garantia das exigências feitas pela autoridade sanitária europeia em relação ao cumprimento do regulamento do uso de antimicrobianos em toda cadeia de proteína animal”.
A Pasta reforçou que ficou estabelecido que cada produto de origem animal – carnes bovina e de aves, mel, ovos, entre outros – será analisado separadamente pelo órgão sanitário do bloco europeu. “O Brasil tem um sólido sistema de defesa agropecuária. Não por acaso somos o maior exportador de proteína animal do mundo e vendemos nossos produtos para a União Europeia há mais de 40 anos”, comentou o ministro da Agricultura, André de Paula.
Fonte: Globo Rural.