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DEP’s para probabilidade de prenhez de novilhas

Josineudson Augusto II de V. Silva; Joanir P. Eler, José Bento S. Ferraz, e Fábio Dias

Reprodução versus Desempenho Ponderal

Em qualquer sistema de produção de gado de corte, a reprodução é um componente de grande importância para um desempenho econômico lucrativo. Várias são as citações regularmente publicadas em revistas especializadas sobre os benefícios econômicos da reprodução e sua contribuição para a rentabilidade; poucas são, no entanto, as associações de raça ou empresas agropecuárias que incluem a utilização das DEP´s para características reprodutivas em seus programas de seleção. Este fato chega a ser surpreendente, dados os benefícios econômicos da seleção para uma melhor eficiência reprodutiva e só pode ser explicado pelas dificuldades técnicas e práticas que lhe são inerentes. Segundo Melton (1995), a reprodução pode ser quatro vezes mais importante do ponto de vista econômico, do que as características de carcaça, em um sistema comercial vaca-bezerro em que são comercializados bezerros na desmama. A importância da reprodução é bem documentada; porém, avaliações/sumários de rebanhos nacionais e grupos de pesquisa das universidades enfatizam principalmente DEP´s para características de crescimento e de carcaça, pois os dados e os procedimentos analíticos para estas características são mais numerosos e disponíveis.

Os criadores de gado de corte conhecem os benefícios potenciais das DEP´s para características reprodutivas e algumas DEP´s já existem para a seleção do mérito reprodutivo, como Habilidade de Permanência e Probabilidade de Prenhez, que são características de fertilidade contínua e exemplos de características reprodutivas para as quais recentemente foi desenvolvida predição genética para gado de corte. A Agropecuária CFM Ltda publicou em seu Sumário 2000, DEP´s para estas características e que passaram a fazer parte dos seus objetivos de seleção.

Na Universidade do Estado do Colorado, os grupos de produção animal e genética enfocam suas pesquisas em características economicamente importantes. E um novo preditor da fertilidade utilizado na seleção da novilha de primeira cria, é a chamada Prenhez de Novilha, que está sendo desenvolvido no Centro de Avaliação Genética de Gado do Estado do Colorado. Prenhez de Novilha é definida como a observação de uma novilha conceber e permanecer prenha até o diagnóstico de gestação, dado que a novilha teve oportunidade de ser acasalada (Evans, et al., 1999; Doyle et al., 2000). No Brasil a característica foi designada como Probabilidade de Prenhez de Novilhas (Eler et al.,2000).

Característica economicamente importante

Se a meta dos criadores é melhorar a fertilidade da fêmea quando novilha, nesse caso, a Prenhez de Novilha é uma característica economicamente importante. O conceito é mais fácil de ser entendido quando se pergunta: “entre prenhez de novilha e perímetro escrotal, qual característica vai ter maior impacto na margem de lucro?” Antes de responder, deve-se observar o seguinte: o perímetro escrotal é uma característica indicadora da fertilidade da novilha, enquanto que a Probabilidade de Prenhez é medida diretamente na novilha, leva em conta a sua fertilidade inerente e, por isto, é a característica econômica de interesse, ou o objetivo de seleção.

O impacto da fertilidade da novilha é uma operação que deve ser observada sob vários ângulos, inclusive o dos recursos utilizados para a produção da novilha. Isto fica mais crítico em anos em que a pastagem é precária ou nos quais ocorre inverno severo, pois as novilhas selecionadas para níveis de fertilidade mais altos devem ser mais prováveis de ficar prenhes apesar do estresse adicional.

Poderia então ser perguntado: “a coleta de dados de perímetro escrotal é um esforço perdido?” A resposta é “não”. O perímetro escrotal avaliado em torno dos 14 meses de idade é um preditor da puberdade da novilha nesta mesma idade. Procedimentos analíticos utilizados em análises de características múltiplas permitem que os dados de perímetro escrotal contribuam com informações para aumentar a acurácia da predição das DEP´s para Probabilidade de Prenhez (Evans et al.,1999). As análises têm indicado, no entanto, que a relação entre Perímetro Escrotal e Probabilidade de Prenhez de Novilhas não é linear. A forma desta relação genética precisa ser bem determinada para que o Perímetro Escrotal seja incorporado rotineiramente na avaliação genética da Probabilidade de Prenhez.

A partir da obtenção das DEP´s para Probabilidade de Prenhez, as DEP´s para Perímetro Escrotal não seriam mais usadas nas decisões de seleção (lembrar que o Perímetro Escrotal já foi utilizado na análise para a predição das DEP´s para Probabilidade de Prenhez). A acúracia da seleção é mais baixa se o Perímetro Escrotal e a Probabilidade de Prenhez de Novilha forem usados simultaneamente. Embora possa parecer o contrário, é intuitivo pensar que numa tomada de decisão de seleção, a utilização das duas informações para o mesmo objetivo seria um complicador desnecessário uma vez que uma informação já estaria incorporada na outra.

Importância da Probabilidade de Prenhez

Probabilidade de Prenhez é uma característica economicamente importante. Diferenças Esperadas de Progênie (DEP´s) para Probabilidade de Prenhez têm grande potencial para melhorar a fertilidade da novilha e tem baixos custos no seu desenvolvimento.

É surpreendente como somente agora as DEP´s para as características reprodutivas começam a merecer destaque similar ao que sempre foi dado para características de crescimento e de carcaça. Há várias razões para o desenvolvimento lento das DEP´s de Probabilidade de Prenhez:1) as associações de raça não pediam dados de prenhez de novilha aos criadores; 2) o desenvolvimento de procedimentos analíticos para dados categóricos, como é o caso da Probabilidade de Prenhez, é recente e, 3) estava “estabelecido” que características relacionadas com a fertilidade de fêmeas eram de baixa herdabilidade e por isto de difícil mudança genética. Estudos recentes na Universidade do Estado do Colorado indicam que as estimativas de herdabilidade de Prenhez de Novilha são mais altas que previamente suposto. Estimativas atuais estão sendo determinadas por meio de estudos na Universidade do Estado do Colorado e pela FZEA/USP/Pirassununga e revelam herdabilidade para Probabilidade de Prenhez que varia de 0,14 a 0,55.

Nas raças européias, quando se fala de prenhez de novilha está implícito que se dá em torno de um ano de idade. Para os zebuínos a idade de reprodução sempre foi tida como 24 meses ou mais. No caso de seleção para precocidade, como na raça Nelore, por exemplo, havia necessidade de expor os animais jovens ao touro ou inseminá-las. Só recentemente, grupos como a CFM iniciaram este trabalho, expondo todas as novilhas aos 14 meses de idade, independentemente do peso. Este trabalho é fundamental na obtenção de DEP´s para Probabilidade de Prenhez de Novilhas jovens, e a característica foi chamada de PP14.

Por que não selecionar para Perímetro Escrotal?

A convicção de que Prenhez de Novilha era de baixa herdabilidade levou os pesquisadores ao desenvolvimento de características indicadoras. O indicador amplamente utilizado foi o Perímetro Escrotal, porque é um excelente preditor de idade à puberdade e também porque os registros são fáceis de serem coletados e analisados. Vários estudos indicaram uma relação favorável da idade à puberdade da novilha e perímetro escrotal medido em animais de um ano de idade. De acordo com um artigo de Brinks et al. (1978), esta relação pode indicar um controle genético similar de ambas as características. O perímetro escrotal responde pela variação genética da idade à puberdade, mas há fatores genéticos adicionais que influenciam a habilidade de uma novilha conceber e sustentar a prenhez, e estes podem não ser diretamente relacionados com o perímetro escrotal.

Desenvolvimento de futuras DEP´s

A característica Probabilidade de Prenhez tem várias propriedades que a tornam um candidato à inclusão nos objetivos de seleção (e predição de DEP´s): os registros dos dados de prenhez de novilha não têm custos adicionais, pois já são normalmente controlados pelos criadores; os métodos de diagnóstico de prenhez estão estabelecidos (ultra-som, palpação retal); procedimentos analíticos já foram desenvolvidos e a DEP para Probabilidade de Prenhez pode ser informada em porcentagem.

Para uma melhor definição, temos o seguinte exemplo para explicar a interpretação da DEP de Probabilidade de Prenhez. Dois touros, Touro A e B, sendo cada um acasalado com grupos diferentes de vacas do mesmo rebanho. Para simplicidade, assuma que toda a progênie é formada de novilhas, todas são retidas para acasalar, e todas têm oportunidade igual na exposição com o mesmo touro. O Touro A tem uma DEP de Probabilidade de Prenhez de 15 e o Touro B uma DEP de -5. Em média, as novilhas filhas do Touro A terão uma probabilidade 20% mais alta de conceber e permanecer prenhes quando comparadas com as filhas do Touro B.

As DEP´s para Probabilidade de Prenhez são importantes mesmo se o rebanho apresenta nível elevado de fertilidade expressa. Essas DEP´s podem ser utilizadas na seleção de touros, aumentando a fertilidade inerente do plantel.

Uma DEP para Probabilidade de Prenhez aumentará a pequena lista de características reprodutivas nas avaliações/sumários de gado nacionais e fornecerá aos produtores uma informação útil para melhorar a fertilidade da novilha. A Probabilidade de Prenhez é de herdabilidade média, podendo mesmo ser alta quando a taxa reprodutiva é baixa, como no caso de Prenhez de Novilhas Nelore aos 14 meses. Atualmente, a Agropecuária CFM Ltda está utilizando DEP´s para Probabilidade de Prenhez de Novilhas Nelore aos 14 meses de idade com resultados encorajadores e que irão certamente desafiar as Associações de Criadores a colher os dados de prenhez de novilha e, quem sabe, dentro de algum tempo, desenvolver também as suas DEP´s.

Bibliografia citada

Brinks et al. 1978. Proc. West. Sect. Am. Soc. Anim. Sci. 29:28-30
Doyle et al. 2000. J. Anim. Sci. 78:2091-2098.
Eler et al. 2000. J. Anim. Sci. (enviado para publicação)
Evans et al. 1999. J. Anim. Sci. 77:2621-2628.

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