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É preciso renegociar acordos internacionais

O Brasil pode incrementar suas exportações de carne bovina aos Estados Unidos e aos países da Europa mas, para isso, precisará certificá-la junto aos órgãos de inspeção, renegociar um aumento das cotas com a União Européia e promover a qualidade da carne brasileira nesses mercados. É o que informa reportagem de Walter Sotomayor, publicada hoje na Gazeta Mercantil.

No mercado europeu, o aumento das exportações de carne depende da renegociação da cota, apesar de que a demanda em alguns países caiu muito, como na França e Itália. A queda de 27% no consumo de carne bovina entre os franceses não estimula a curto prazo qualquer investida dos exportadores brasileiros. Na Itália, o que pode representar um ganho maior seria a exportação de frango e carnes brancas, itens em alta nesse mercado.

“O convênio das cotas entre a União Européia e o Brasil foi assinado quando a carne brasileira tinha muitos problemas”, disse Filippo Larosa, da embaixada da Itália, observando que seu país trabalha para aumentar a cota de carne brasileira.

Larosa, com menos de três meses no Brasil, já visitou uma fazenda no Mato Grosso com 85 mil hectares e 185 mil cabeças de gado. “Isso não existe mais na Europa”, disse, ao elogiar a qualidade do gado alimentado no pasto e a certificação de boa parte do País como área livre de febre aftosa.

O diplomata observou que qualquer renegociação envolveria necessariamente Argentina, Uruguai e Estados Unidos, porque implicaria numa eventual redução das cotas desses outros grandes exportadores.

Cota Hilton

A chamada “cota Hilton” (cortes nobres de carne in natura) é uma restrição quantitativa com tarifa baixa que a União Européia concedeu a alguns países. O limite quantitativo é uma proteção à pecuária local. No caso brasileiro, a cota Hilton é de 5 mil toneladas, hoje considerada irrisória, mesmo se comparada com a da Argentina, de 28 mil toneladas.

O problema é que o Brasil não pode negociar mais nada isoladamente, já que iniciou uma grande negociação entre blocos (União Européia-Mercosul) que só a partir de julho entrará na questão tarifária, isto é, em questões como a cota Hilton.

Dos US$ 678 milhões de exportação de carne brasileira, entre janeiro e outubro do ano passado, a maior parte teve como destino a Europa comunitária.

Entre janeiro e outubro de 2000, o Brasil exportou à Grã-Bretanha US$ 121 milhões. “Em qualquer supermercado ou lojinha, pode se comprar carne brasileira”, disse Nick Low, da embaixada britânica, destacando o caráter popular do produto brasileiro enlatado. Esse hábito de consumo de corned beef é uma herança dos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil tornou-se grande fornecedor do produto.

Low disse que os ingleses estão muito tranqüilos porque o governo foi muito rigoroso no combate à doença da vaca louca e rápido no isolamente do surto da febre aftosa. “Na Inglaterra, não há nada parecido com o pânico da Europa continental”, acrescentou, ao manifestar também grande confiança na retomada das exportações de carne bovina de seu país ao mercado europeu.

Bertrand Camacho, da embaixada da França, observa que existe um temor generalizado entre os franceses sobre a carne bovina de qualquer procedência. “O risco potencial existe”, disse o funcionário. Camacho reconheceu que esse risco é conseqüência das importações de gado europeu na década passada.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o processo de certificação nos órgãos de inspeção sanitária foi iniciado, segundo informou Terry Davidson, porta-voz da embaixada desse país em Brasília, lembrando que o processo foi interrompido no ano passado quando surgiu um caso de aftosa na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

O processo de certificação é um tramite realizado junto ao Serviço de Inspeção de Saúde de Plantas e Animais (APHIS pela sigla em inglês), uma divisão do Departamento de Agricultura. Atualmente o Brasil só vende no mercado norte-americano carne enlatada e carnes preparadas (pratos prontos congelados), mas tem boas perspectivas de exportação de carne in natura, principalmente se for feita, segundo Davidson, com o suporte de uma campanha promocional.

(Por Walter Sotomayor, para Gazeta Mercantil, 02/03/01)

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