

O El Niño previsto para 2026/2027 deve trazer desafios diferentes para a pecuária brasileira. Enquanto algumas regiões podem enfrentar estiagens prolongadas e perda de qualidade das pastagens, outras precisam se preparar para excesso de chuva, encharcamento do solo e dificuldades no manejo.
O alerta é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que divulgou, em 6 de outubro, orientações específicas para as cinco regiões do País.
Segundo os pesquisadores, os impactos dependem não apenas da localização da propriedade, mas também do sistema produtivo e das condições de manejo. Para os pecuaristas, a principal recomendação é antecipar o planejamento alimentar do rebanho, considerando os riscos climáticos previstos para os próximos meses.
No Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal apresentam maior risco de seca, com chuvas atrasadas ou irregulares, veranicos e temperaturas elevadas.
O período mais crítico está previsto entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, justamente quando boa parte das pastagens deveria estar em pleno desenvolvimento durante a estação chuvosa.
Para reduzir os impactos, a Embrapa recomenda ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, manter reservas de forragem e garantir acesso à água e à sombra.
Mato Grosso do Sul apresenta uma condição diferente. O sul do estado pode receber chuvas acima da média, embora ainda exista risco de veranicos.
No Pantanal, os produtores também devem acompanhar os níveis dos rios, as condições hidrológicas e os riscos de incêndios.
Na Região Norte, o El Niño pode prolongar a estação seca, reduzir os níveis dos rios e aumentar as temperaturas.
A Embrapa alerta que a menor umidade pode antecipar a perda de qualidade das pastagens e intensificar o estresse térmico dos bovinos.
As recomendações incluem reforçar a suplementação, formar reservas de forragem, ajustar a lotação e garantir água limpa e sombra aos animais.
No Semiárido nordestino, a preocupação principal é a menor disponibilidade de água. Os impactos mais significativos sobre a produção agropecuária são esperados no início de 2027, durante um período importante da estação chuvosa.
Para os pecuaristas, a orientação é formar e conservar reservas de alimento, manter bancos de palma-forrageira e planejar o abastecimento de água, evitando que a falta de recursos comprometa a alimentação dos rebanhos.
No Sudeste, o cenário será bastante variável. Enquanto algumas áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais podem receber chuvas acima da média, regiões do norte mineiro e do Espírito Santo tendem a enfrentar condições mais secas.
As temperaturas elevadas representam um risco adicional para a pecuária, especialmente nas bacias leiteiras de Minas Gerais e São Paulo, onde o estresse térmico pode comprometer o desempenho dos animais.
A Embrapa recomenda garantir água e sombra, ajustar a lotação e ampliar as reservas de forragem.
A recuperação de pastagens degradadas e a adoção de sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta, também aparecem entre as estratégias para aumentar a resistência das propriedades às adversidades climáticas.
Diferentemente de grande parte do País, a Região Sul deve enfrentar chuvas mais intensas e concentradas, especialmente entre setembro e dezembro de 2026.
O excesso de água pode provocar encharcamento, erosão, compactação do solo e perda de qualidade das pastagens.
Além de prejudicar o desenvolvimento da forragem, essas condições podem dificultar o manejo das áreas de pastejo.
A recomendação é reforçar a cobertura e a conservação do solo, melhorar as condições de drenagem e adotar medidas que reduzam os impactos do excesso de água.
Apesar das diferenças regionais, as orientações da Embrapa convergem para um ponto: não esperar que a seca ou o excesso de chuva comprometam a produção para começar a agir.
Avaliar a quantidade de animais em relação à oferta de pasto, planejar reservas de forragem, verificar a disponibilidade de água e acompanhar as previsões climáticas são medidas fundamentais para reduzir os riscos.
A Embrapa também destaca que parte dessas estratégias pode ser incorporada permanentemente à gestão das propriedades, aumentando a capacidade de enfrentar não apenas o El Niño, mas outros eventos climáticos extremos.
Fonte: Embrapa.