
O setor pecuário dos Estados Unidos registrou em maio o primeiro aumento anual no número de bovinos confinados em 18 meses, segundo o relatório “Cattle on Feed” divulgado pelo USDA. Apesar de o dado trazer um viés baixista para o mercado no curto prazo, analistas afirmam que o movimento reflete muito mais uma mudança de timing na oferta do que um crescimento estrutural do rebanho americano.
O relatório mostrou que o número de animais confinados em feedlots com capacidade superior a mil cabeças atingiu 11,6 milhões de bovinos em 1º de maio, volume 2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. As entradas de animais nos confinamentos durante abril cresceram 6% em relação a 2025, enquanto as saídas para abate ficaram abaixo do esperado.
Segundo Derrell Peel, especialista em mercado pecuário da Oklahoma State University Extension, o relatório foi recebido de forma ligeiramente mais negativa pelo mercado porque os confinamentos receberam mais animais do que o esperado e comercializaram menos bovinos no período.
Ainda assim, Peel destaca que os números não indicam uma mudança relevante nos fundamentos de oferta de gado nos Estados Unidos.
De acordo com o analista, a seca em algumas regiões e os preços historicamente elevados do gado estimularam produtores a anteciparem o envio de animais aos confinamentos.
“Os confinamentos estão mais carregados na parte da frente da curva de oferta”, explicou Peel. “Isso não significa necessariamente que teremos mais gado no sistema, mas sim que alguns animais foram antecipados.”
Ele ressalta ainda que o movimento inclui um maior envio de fêmeas para abate, em vez de retenção para reposição do rebanho.
“Provavelmente ainda estamos comercializando algumas novilhas que, em outras circunstâncias, poderíamos estar tentando reter”, afirmou.
O comentário reforça a percepção de que os Estados Unidos seguem vivendo um ciclo pecuário de oferta apertada, mesmo após o leve aumento nos números do confinamento.
O relatório também trouxe sinais de ajuste no Texas após os impactos provocados pelas restrições às importações de bovinos mexicanos.
Segundo Peel, o número de animais confinados no estado voltou aos níveis do ano passado pela primeira vez desde o fechamento da fronteira ao gado mexicano.
Isso indica que a indústria americana começa gradualmente a se adaptar à menor disponibilidade de animais vindos do México, importante fornecedor de bovinos magros para os confinamentos norte-americanos.
Peel também procurou separar a forte correção recente dos contratos futuros da realidade do mercado físico.
Segundo ele, a queda nas bolsas foi muito mais um movimento financeiro do que uma mudança estrutural na oferta e demanda do setor pecuário.
“Os fundamentos do mercado físico não mudaram. Nós certamente não temos mais gado disponível. Isso parece muito mais uma correção de curto prazo”, afirmou.
Para os produtores, o relatório de maio pode pressionar momentaneamente o sentimento do mercado, mas não altera a narrativa de oferta restrita que sustenta o atual ciclo de valorização da pecuária bovina nos Estados Unidos.
O relatório mostrou que:
O USDA também detalhou o perfil dos animais colocados nos confinamentos em abril:
Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.