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Existe nicho de mercado para carne de qualidade

Temos dito em comentários passados que o produto carne bovina oferece oportunidade para o desenvolvimento e atendimento de diferentes nichos específicos. Um desses nichos é o atendimento de churrascarias e de restaurantes especializados no preparo de grelhados com carne bovina de alta qualidade.

Nas grandes cidades brasileiras, São Paulo em particular, esse nicho de mercado tem se abastecido de carne na Argentina e no Uruguai. Uma razão é disponibilidade de picanha em grande quantidade nesses países (corte não é exportado para a Europa e nem goza de preferência dos consumidores locais) para atender a preferência brasileira por esse corte. O consumo de picanha como corte para churrasco nos grandes centros no Brasil é tão grande que a produção brasileira, pelo menos a de melhor qualidade, não tem sido suficiente para atender o mercado. Uma outra razão, e provavelmente a mais importante, é o prestígio que a carne bovina desses dois países, em especial a da Argentina, desfruta tanto entre os que preparam como entre os que costumam degustar esse produto com freqüência. Esse prestígio parece estar associado à maciez, suculência e sabor dos cortes para grelha provenientes do contra filé, tanto de lombo como de costela (as mais diferentes denominações são encontradas nos cardápios dos restaurantes especializados em servir grelhados de carne bovina de boa qualidade). É de conhecimento geral que as raças usadas nos dois países citados são inglesas, com predominância de Angus na Argentina e de Hereford no Uruguai.

Esse nicho de mercado, apesar de ainda relativamente pequeno, tem se expandido rapidamente através da ampliação dos restaurantes especializados em grelhados de carne bovina em todas as cidades de grande porte do Brasil.

No Brasil, o Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com melhores condições para a criação de raças de corte de clima temperado. As raças inglesas são bastante conhecidas e têm sido a base do rebanho bovino de corte gaúcho. Entretanto, apesar dos bons preços pagos pelos restaurantes para carne bovina da Argentina e do Uruguai proveniente dessas duas raças, a participação do Rio Grande do Sul como fornecedor de carne de qualidade (direta ou indiretamente através da venda de bezerros e garrotes para outros estados), para esse nicho de mercado praticamente não existe. A pergunta lógica é: por que isso não tem ocorrido? Um esforço grande deve ser feito para encontrar as respostas e equacioná-las, visando a participação da carne gaúcha produzida com raças inglesas nesse nicho de mercado de carne para grelhados de alta qualidade. Essa participação só terá chances de ocorrer se produtores e frigoríficos unirem esforços e desenvolverem parcerias onde todos tenham condições de participar dos resultados.

1 Comment

  1. Roberto Lourenço disse:

    A maior parte das pessoas aqui no Brasil desconhece as diferenças nas carnes que consomem, portanto, é preciso informar, educar, quem sabe isto também favorecerá ainda mais a valorização da carne de alta qualidade por quem tem poder aquisitivo para consumi-la.

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