

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) solicitaram a inclusão do setor exportador de carnes nas medidas de apoio do Plano Brasil Soberano – recentemente reforçado com crédito adicional para apoio aos afetados pela guerra no Oriente Médio -, bem como o acesso a tais linhas, segundo nota encaminhada pela Abiec ao Valor.
O Plano Brasil Soberano foi lançado pelo governo em 2025 em resposta às tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Mais recentemente, em março, o governo publicou a Medida Provisória nº 1.345/2026, que ampliou o volume de recursos disponíveis da iniciativa em mais R$ 15 bilhões, para apoiar exportadores brasileiros afetados pelo conflito no Oriente Médio.
Na portaria interministerial nº 171, de 13 de abril, os ministérios de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDCI) e da Fazenda detalharam quais setores industriais exportadores seriam elegíveis às linhas de crédito. Na lista, contudo, não foram incluídos os exportadores de carnes.
O Brasil é o maior exportador global de carne bovina e de aves. O Oriente Médio foi a principal região importadora de carne de frango do Brasil em 2025, responsável por 29,8% do volume total, segundo dados compilados pela ABPA. No caso da carne bovina, a Arábia Saudita, assim como o Egito, que não faz parte da região mas está próximo à zona de conflito, figuram entre os dez maiores importadores do produto brasileiro. Além disso, a zona marítima sob influência do conflito é rota de passagem de navios carregados com carne bovina destinados a outros países, cujo tráfego vem sendo afetado de diferentes formas pela guerra, como reportou anteriormente a Abiec.
No ofício enviado ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, as entidades argumentam que, com as incertezas sobre o tráfego de navios em rotas utilizadas para exportação de carnes do Brasil à região, como o Estreito de Ormuz e o Canal do Suez, e a reorganização de rotas ou mesmo suspensão temporária de novos carregamentos para determinados destinos por armadores internacionais, exportadores brasileiros têm lidado com ampliação significativa dos tempos de trânsito marítimo, de 10 a 15 dias adicionais, além de elevação de custos com frete, seguros, sobretaxas de risco e gestão de contêineres refrigerados.
“Esse cenário impacta diretamente a dinâmica financeira das operações de exportação, sobretudo em função do aumento do ciclo de capital de giro. Com prazos logísticos mais longos, amplia-se o intervalo entre a produção, o embarque, a entrega e a liquidação financeira das operações”, dizem as entidades no ofício.
“Essa distorção gera pressão significativa sobre o caixa das empresas exportadoras, especialmente entre pequenas e médias agroindústrias”, continuam.
No documento, as entidades pedem que o setor de proteínas animais seja “explicitamente” incluído entre os elegíveis às linhas de financiamento. Também solicitam o acesso de empresas agroindustriais exportadoras às linhas de capital de giro, dado o aumento do ciclo financeiro das companhias em razão das disrupções logísticas internacionais.
“O acesso às linhas de crédito é fundamental para assegurar liquidez, previsibilidade financeira e continuidade das operações”, dizem as associações em nota.
Fonte: Globo Rural.