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Preço do boi gordo sofre nova baixa com maior oferta e escalas de abate alongadas

O mercado pecuário esteve pressionado nesta quarta-feira (29/4), informa a Scot Consultoria. O aumento da oferta de boiadas e o alongamento das escalas ampliaram o poder de negociação dos compradores em várias praças importantes.

Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, as ofertas de compra caíram pelo terceiro dia consecutivo. Na comparação diária, a cotação do boi gordo diminuiu em R$ 1, para R$ 360 a arroba para o pagamento a prazo. Já a arroba do “boi China” teve redução de R$ 2, para R$ 363. O preço da vaca caiu R$ 1, para R$ 330 a arroba. Já a novilha permaneceu estável.

Segundo a Scot, agentes de mercado relataram que, no Estado de São Paulo, ofertas de compra de R$ 360 por arroba do boi gordo ou acima não encontraram resistência nas negociações, permitindo compras com facilidade. Já nas tentativas de comprar abaixo dessa faixa, a dificuldade para fechar negócios aumentou. Apesar disso, houve negócios com preços menores, porém sem volume suficiente para consolidarem referência.

Além da duas praças paulistas, a Scot registrou quedas no preço do boi gordo em outras oito regiões. As cotações ficaram estáveis em 22 praças na comparação diária. Apenas em Roraima houve alta nos valores.

O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, também destaca que o mercado físico do boi gordo volta a se deparar com tentativas de compra em níveis mais baixos. “Os frigoríficos ainda apontam para uma posição mais confortável das escalas de abate e tentam exercer pressão mais rotineira sobre os preços”, explica.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) , algumas regiões apresentam escalas de abate superiores às de março e às de fevereiro. Na Bahia, a média subiu para 7,4 dias, contra 6,8 em março e 5,6 em fevereiro. Em Minas Gerais, está em 13,4 dias, ante 9,2 em março e 6,4 em fevereiro. No Noroeste do Paraná, a média está em 12,9 dias, contra 9,5 em março e 10,5 em fevereiro.

A sazonalidade do mercado aponta para continuidade deste movimento, considerando a menor capacidade de retenção de animais nas propriedades com a perda de qualidade das pastagens, situação mais perceptível em Goiás e em Minas Gerais. Já Mato Grosso e o Norte do país ainda contam com pastos mais vigorosos.

Diferença entre machos e fêmeas

O Cepea também informa que a diferença entre os preços pagos pelo boi gordo e pela vaca está se ampliando em abril. Na parcial deste mês (até o dia 28), a diferença entre os valores médios de machos e fêmeas adultas negociados no Estado de São Paulo está em R$ 33,69 por arroba, com vantagem para o boi. Em abril de 2024 e 2025, as diferenças eram bem menores, de R$ 17,70 e de R$ 26,30, respectivamente.

Segundo o Cepea, esse resultado se deve à valorização dos machos acima da observada para as vacas, devido à oferta reduzida desses animais desde o início de 2026 e à aquecida demanda internacional pela carne de boi. Por outro lado, as fêmeas, que são destinadas principalmente ao mercado interno, apresentam uma maior oferta em relação aos machos, o que tem levado frigoríficos a ajustarem os preços pagos para completar as escalas de abate.

Fonte: Globo Rural.

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