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JBS Tem Prejuízo Global de US$ 102 Milhões no Segundo Trimestre; Mas Brasil Faz Caminho Inverso

A JBS encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 102 milhões (R$ 521 milhões), revertendo o lucro de US$ 528 milhões (R$ 2,7 bilhões) registrado no mesmo período de 2025. É o primeiro resultado negativo da companhia após 11 trimestres consecutivos de lucro. O último prejuízo havia sido contabilizado no segundo trimestre de 2023. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (10), após o fechamento do mercado, no segundo balanço trimestral apresentado pela companhia desde a conclusão da dupla listagem, com ações negociadas em Nova York e no Brasil. No período, a receita avançou 14%, para US$ 23,9 bilhões (R$ 122,1 bilhões), enquanto a rentabilidade recuou.

Com a receita em nível recorde, o segundo trimestre deixou para a JBS uma combinação de expansão comercial, margens menores e aumento da alavancagem. A evolução dos próximos resultados passa, entre outros fatores descritos pela companhia, pela oferta e pelo custo do gado nos Estados Unidos, pela rentabilidade das operações de aves e suínos e pela continuidade do desempenho das divisões brasileiras.

“No 2Q26, a JBS registrou novamente receita recorde, refletindo a força da plataforma da companhia, diversificada em geografias e proteínas”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. Segundo o executivo, a comparação anual da rentabilidade parte de uma base elevada, especialmente nas operações de aves, que registraram resultados recordes no segundo trimestre de 2025. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, porém, a companhia informou melhora da rentabilidade na maioria das unidades de negócios.

O EBITDA ajustado pelo padrão IFRS somou US$ 1,429 bilhão (R$ 7,3 bilhões), queda de 18% sobre US$ 1,754 bilhão (R$ 9 bilhões) um ano antes. A margem passou de 8,4% para 6%, retração de 2,4 pontos percentuais. Pelo padrão contábil americano USGAAP, o EBITDA ajustado ficou em US$ 1,257 bilhão (R$ 6,4 bilhões), 8% abaixo dos US$ 1,368 bilhão (R$ 7 bilhões) do segundo trimestre de 2025. O lucro operacional ajustado IFRS caiu 34%, para US$ 790 milhões (R$ 4 bilhões).

Parte da distância entre o desempenho operacional e o prejuízo contábil está em despesas e efeitos extraordinários reconhecidos no trimestre. Excluídos esses itens, a JBS calculou lucro líquido ajustado de US$ 218 milhões (R$ 1,1 bilhão), equivalente a US$ 0,20 por ação, ante US$ 0,52 por ação um ano antes. Entre os ajustes estão US$ 172 milhões (R$ 879 milhões) em prêmios, juros e custos associados às ofertas de recompra de bonds e Certificados de Recebíveis do Agronegócio, além de US$ 133 milhões (R$ 679 milhões) relacionados a acordos antitruste. A companhia contabilizou ainda US$ 81 milhões (R$ 414 milhões) referentes ao cálculo final do ganho por compra vantajosa da Mantiqueira Alimentos.

A combinação entre crescimento das vendas e redução da rentabilidade mostra diferenças entre as geografias e proteínas que compõem a JBS. Na carne bovina dos Estados Unidos, a JBS Beef North America alcançou vendas recordes, de US$ 7,77 bilhões (R$ 39,7 bilhões), avanço de 14,2%. O EBITDA ajustado, porém, permaneceu negativo em US$ 78,3 milhões (R$ 400 milhões), embora abaixo da perda de US$ 233 milhões (R$ 1,2 bilhão) registrada um ano antes. A oferta restrita de animais e os preços do gado pressionaram os spreads da indústria. As importações de bovinos vivos do México permaneceram limitadas durante o trimestre, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima no mercado americano. Segundo a companhia, a entrada desses animais deverá ser retomada gradualmente a partir de 24 de agosto.

Nesse ambiente, a JBS anunciou o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos, uma fábrica de processamento em Souderton, na Pensilvânia, e outra de produtos case ready em Memphis, no Tennessee. A produção será transferida para outras plantas americanas. A companhia também reuniu as divisões Fed Beef, Regional Beef e Case Ready em uma estrutura denominada Beef USA, como parte da reorganização das operações no país.

Na Pilgrim’s Pride, a receita alcançou US$ 4,623 bilhões (R$ 23,6 bilhões), recuo de 2,8%, e o EBITDA ajustado IFRS caiu 38,5%, para US$ 503 milhões (R$ 2,6 bilhões), com margem de 10,9%. A comparação ocorre diante do resultado recorde das operações de aves no segundo trimestre do ano passado. Nos Estados Unidos, preços menores das commodities de frango reduziram a rentabilidade na comparação anual, enquanto ganhos de produtividade, melhorias nas fábricas e desempenho das operações com aves vivas contribuíram para uma recuperação sequencial das margens.

A JBS USA Pork também enfrentou redução da rentabilidade. As vendas ficaram em US$ 2,079 bilhões (R$ 10,6 bilhões), praticamente estáveis na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado IFRS recuou 54%, para US$ 116,7 milhões (R$ 596 milhões), com margem de 5,6%. A empresa atribuiu parte do cenário à redução da demanda doméstica por carne suína diante da inflação sobre o consumidor americano. Nas exportações, os embarques dos Estados Unidos cresceram 4,7% entre janeiro e maio ante igual intervalo de 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos citados no balanço.

No Brasil, o movimento foi diferente, com a companhia registrando uma receita de US$ 4,585 bilhões (R$ 23,4 bilhões), crescimento de 28%, e o maior faturamento já contabilizado pela divisão em um segundo trimestre. O EBITDA ajustado avançou 17,8%, para US$ 269,2 milhões (R$ 1,4 bilhão), com margem de 5,9%.

O desempenho ocorreu mesmo com o preço médio do boi em aproximadamente R$ 353 por arroba, 12% acima do segundo trimestre de 2025. As exportações cresceram em preços e volumes, com participação das vendas destinadas à China, enquanto o mercado brasileiro contou com maior volume e preços de carne bovina. A unidade também registrou seu maior EBITDA para um segundo trimestre.

A Seara alcançou um faturamento de US$ 2,56 bilhões (R$ 13,1 bilhões), 18,2% acima do ano anterior. O EBITDA ajustado ficou em US$ 380,4 milhões (R$ 1,9 bilhão), recuo de 2,9%, com margem de 14,9%. Nas exportações, o aumento dos volumes de aves in natura sustentou as vendas, com participação do Oriente Médio e de produtos processados e de maior valor agregado. No mercado brasileiro, a companhia ampliou capacidade de processamento e o portfólio de industrializados.

Na Austrália, as vendas avançaram 30%, para US$ 2,565 bilhões (R$ 13,1 bilhões), puxadas por preços e volumes. O EBITDA ajustado recuou 20,5%, para US$ 230,7 milhões (R$ 1,2 bilhão), com margem de 9%. No segmento bovino, o custo do gado aumentou 24% em moeda local na comparação anual. A operação também sofreu impacto da valorização do dólar australiano frente à moeda americana na conversão dos resultados.

Mesmo com a redução do EBITDA consolidado, a geração de caixa melhorou. O fluxo de caixa livre ficou positivo em US$ 130 milhões (R$ 664 milhões), ante consumo de US$ 55 milhões (R$ 281 milhões) no segundo trimestre de 2025. A diferença de US$ 185 milhões (R$ 945 milhões) veio principalmente do capital de giro. A companhia informou melhora de US$ 600 milhões (R$ 3,1 bilhões) em contas a receber, associada ao maior desconto de recebíveis e a adiantamentos de clientes chineses nas exportações da JBS Brasil, além de aumento de US$ 390 milhões (R$ 2 bilhões) nas contas a pagar, relacionado principalmente ao preço do gado e ao maior volume de abates no Brasil.

A alavancagem encerrou junho em 3,10 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses, ante 2,27 vezes um ano antes e 2,77 vezes no primeiro trimestre. A dívida líquida chegou a US$ 18,962 bilhões (R$ 96,9 bilhões). Segundo Tomazoni, o indicador ficou ligeiramente acima da meta de longo prazo da companhia. Durante o trimestre, a JBS pagou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em dividendos e passou a integrar os índices Russell 1000 e Russell 3000.

Fonte: Forbes.

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