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9 de julho de 2026

Joesley pediu a Lula proibição de mais antimicrobianos na pecuária

O veto da União Europeia às exportações de carnes do Brasil em reação a medidas de controle de antimicrobianos no país preocupa o setor a tal ponto que mobilizou o envolvimento direto de Joesley Batista, controlador da JBS, gigante global de alimentos. O empresário, assim como o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, pediu pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proibição do uso de mais antimicrobianos no país, tanto na produção de frangos como de bovinos, disseram fontes do segmento ao Valor.

Segundo essas fontes, o pedido foi feito antes de as entidades que representam exportadores de carne bovina (Abiec) e de frango (ABPA) solicitarem ao Ministério da Agricultura, no começo de junho, a ampliação do número de produtos proibidos no Brasil. O teor do ofício enviado pelas associações também teria partido de Batista, de acordo com as fontes.

A solicitação visava demonstrar aos europeus maior rigor no controle dos antimicrobianos no país. Procurada, a JBS não comentou.

Em maio, a Comissão Europeia informou que excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar ao bloco produtos de origem animal, como carnes, pescados e mel. Os europeus alegam que o país não cumpre exigências do bloco em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal. A suspensão começa em setembro.

O veto da UE gerou embate entre governo, indústria e pecuaristas. Surgiram críticas ao Ministério da Agricultura, que não teria providenciado as garantias demandadas pelos europeus nos últimos três anos. A Pasta, por sua vez, afirma que o setor privado deveria ter implementado sistemas de segregação da produção para atender os europeus.

Os pecuaristas se opõem ao veto de mais medicamentos, argumentando que alguns itens proibidos pelos europeus, mas autorizados no Brasil, são necessários para a produção de gado bovino cuja carne é vendida a outros mercados.

Na quarta-feira (8/7), representantes da indústria, de pecuaristas e do governo se reuniram na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para tentar alinhar uma estratégia de ação. No encontro, falou-se da necessidade de decidir entre segregar animais destinados à Europa e banir antimicrobianos em todo o Brasil.

Novas reuniões estão previstas nas próximas semanas, mas, de acordo com uma fonte, por ora, o Ministério da Agricultura estaria inclinado a concordar com o aumento no nível de proibição de antimicrobianos no Brasil, em linha com a solicitação dos frigoríficos.

Logo após a decisão da Comissão Europeia, o governo apresentou aos europeus o protocolo privado homologado pela Pasta, que prevê o acompanhamento da vida do animal do nascimento ao abate. Para a carne bovina, com ciclo produtivo mais longo que a do frango, o Ministério pediu um período de transição, já que animais nascidos agora só serão certificados em ao menos dois anos.

A proposta previa manter embarques de carne de animais rastreados e com garantia de não uso dos insumos nos últimos nove meses de vida, e alcançar controle total das exportações em 2029. Os europeus rejeitaram a ideia. O impacto anual da suspensão, para a carne bovina, é estimado em US$ 1 bilhão.

Fonte: Globo Rural.

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