

Uma missão de autoridades sanitárias da China chega ao Brasil nos próximos dias para avaliar o sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A auditoria começa no domingo (13), segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e deve passar por três frigoríficos brasileiros, apurou a CNN.
As unidades selecionadas são o frigorífico da JBS em Vilhena (RO), da Minerva em Rolim de Moura (RO) e da Marfrig em Promissão (SP). A avaliação terá caráter predominantemente técnico e deve servir para verificar, na prática, os controles adotados pelo Brasil.
A missão ocorre em um momento de maior atenção das autoridades chinesas aos procedimentos sanitários brasileiros. Ao longo deste ano, a China suspendeu temporariamente a habilitação de diferentes frigoríficos após identificar resíduos em cargas destinadas ao país asiático.
Em maio, três unidades, da JBS, Prima Foods e Frialto, foram suspensas após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético proibido no país asiático. A China também suspendeu, em abril, uma unidade da SulBeef, em Várzea Grande (MT), pelo mesmo tipo de ocorrência.
No fim de maio, a China suspendeu ainda as importações da unidade da JBS em Vilhena (RO), após a identificação de progesterona em cargas exportadas pelo frigorífico. Com a medida, chegou a cinco o número de plantas brasileiras com restrições naquele momento.
Segundo André de Paula, a expectativa brasileira é que o processo possa resultar tanto na reabilitação de unidades que foram temporariamente retiradas da lista de exportadores quanto na habilitação de novos estabelecimentos.
“Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, disse o ministro à CNN.
De Paula citou inspeções feitas por Japão, Coreia do Sul e União Europeia para concluir que o país tem obtido resultados favoráveis nos processos sanitários.
Ele pontuou ainda que a visita pode ampliar o cardápio de produtos oferecidos, como miúdos.
Em maio a China reconheceu o Brasil como livre da febre aftosa sem vacinação, o que amplia as possibilidades para o mercado do gigante asiático.
“Há perspectiva de anúncios muito positivos na área de miúdos. Estamos otimistas que essa auditoria seja, a exemplo das outras, coroada de êxito. Isso acentua que o Brasil hoje é referência no que diz respeito à sanidade animal.”
O resultado da missão, porém, não deve ser confundido com uma retomada automática das exportações de todas as unidades avaliadas. Depois da inspeção, ainda há etapas técnicas e administrativas que precisam ser cumpridas pelas autoridades chinesas.
Para o setor, a importância da auditoria vai além das três plantas que serão visitadas. Uma avaliação positiva reforçaria a confiança no sistema brasileiro e poderia ajudar a destravar processos de reabilitação e habilitação de estabelecimentos para o mercado chinês.
A missão ocorre em um momento de mudança importante no comércio de carne bovina entre Brasil e China.
Segundo dados compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o Brasil exportou 2,2 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto, alta de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 12,79 bilhões, crescimento de 21,7%.
Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, agosto marcou uma forte desaceleração. Os embarques totais somaram 233,5 mil toneladas, queda de 22,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
O principal fator foi a China. O país recebeu 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, uma queda de 88,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, os chineses continuam na liderança, com 899,2 mil toneladas e US$ 5,51 bilhões em compras. O mercado respondeu por 40,8% de toda a carne bovina brasileira exportada no período.
A redução dos embarques está relacionada ao esgotamento da cota tarifária estabelecida pela China para a carne bovina brasileira. Com o limite atingido, o produto que excede a cota fica sujeito a uma tarifa adicional, o que reduz a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.
Fonte: CNN Brasil.