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No combate ao carrapato

Isabel de Miranda Santos

Li com muito interesse nota no BeefPoint de 06/06/2001 sobre parceria estimulada pelo Secretário Executivo do Sindicato da Indústria de Curtume, Couros e Derivados do MS, Aldayr Heberle, para produção no Brasil da vacina anticarrapato cubana (veja a matéria: MS pode produzir vacina contra carrapato).

Faço parte de uma rede de pesquisa para desenvolver uma vacina de fato eficaz contra o carrapato do boi. Essa rede é apoiada com recursos competitivos de agências públicas de fomento que são extremamente exigentes quanto à qualidade científica e técnica dos projetos que apóiam. Estranho que o Sindicato, antes de buscar parcerias no Brasil, busque no exterior uma vacina de eficácia duvidosa: não há nenhum trabalho publicado que tenha verificado, de forma independente, que essa vacina proteja o bovino contra as infestações do carrapato de forma adequada (literatura à disposição).

Por outro lado, nossa rede procurou o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, CICB, para avaliar a possibilidade de receber apoio suplementar para o projeto, uma vez que os recursos públicos são perenemente insuficientes para ações de tecnologia avançada como é o caso desse projeto. Sequer recebemos do CICB a gentileza de uma reposta, fosse ela negativa.

Existem mais de 500 empresas expositoras de artefatos e moda em couro associadas à FENAC. Se cada uma contribuísse R$ 500,00 por ANO (i.e., menos de R$ 42,00 por mês), o total seria suficiente para apoiar algumas bolsas e as necessidades anuais de custeio dos três projetos da rede da qual faço parte.

Os prejuízos causados pelo carrapato são imensos e compreendemos, por isso, o grande anseio do setor produtivo por uma solução rápida, eficaz e barata. O carrapato é, porém, um dos mais espertos dos parasitas entre nós, sendo refratário a abordagens imediatistas e simplistas. Não será com o desinteresse e falta de apoio do setor privado, o maior beneficiado no seu combate, que iremos derrotá-lo.

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Isabel de Miranda Santos é Médica pela UERJ, Mestre em Microbiologia e Imunologia pela UFRJ, Doutora em Clínica Médica, especialidade Imunologia, pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP e Pós-doutorada em Imunologia na Harvard School of Public Health. No momento é Pesquisadora III da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. E-mail: ikfmstos@cenargen.embrapa.br

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