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Pomar de citros pode produzir silagens

A crise atual da citricultura tem feito com que os produtores de citros procurem alternativas para melhoria da rentabilidade de seus sistemas agrícolas ou agropecuários. Uma dessas alternativas têm sido o corte do capim que cresce naturalmente nas entrelinhas (“plantas daninhas”) para produção de silagens. Silagens de milho e sorgo, que possuem custo de produção mais elevados, e até a cana-de-açúcar, que atualmente está sendo muito valorizada para venda às usinas e ou destilarias para produção de açúcar e álcool, soluções normalmente utilizadas como recursos forrageiros para o período seco, têm sido relegadas a um segundo plano quando há possibilidade de produções alternativas como esta.

Artigo do jornal O Estado de S. Paulo, no seu suplemento agrícola, citava custo de produção, em janeiro de 2001, entre R$ 11,00 a 14,00 por tonelada de matéria verde, salientando que silagens de milho e sorgo geralmente apresentam um custo de produção relativo ao dobro desse valor. Visando divulgar esse assunto, a COOPERCITRUS (Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo) promoveu na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro o 1o Encontro de Silagem de Capim, salientado que a pecuária de Corte têm tido um crescimento expressivo nessa região citrícola.

Há uma estimativa, citada por essa cooperativa de uma produção de até 20 toneladas de matéria verde por hectare em dois a três cortes anuais. Essa produção seria suficiente para manutenção de 10 bois para cada hectare de pomar durante 100 dias de confinamento. Os tipos de capim normalmente encontrados e que surgem espontaneamente nas lavouras citrícolas são os capins marmelada, braquiárias, colonião e sempre-verde. Sugere-se o plantio de cultivares de Panicum maximum (vulgarmente conhecidos como coloniões) ou até do capim Elefante (Pennisetum purpureum), mais conhecido como Napier, uma das suas variedades mais antigas. Por último o artigo comenta que muitos citricultores ainda estão céticos com essa nova alternativa e preferem manter os pomares com o manejo normalmente adotado.

Manejo do pomar

Como toda cultura para produção de silagem e ou feno, a extração de nutrientes é muito grande devido ao corte e remoção de toda as plantas da área, e portanto, há necessidade de reposição desses nutrientes através de adubações minerais e ou orgânicas, senão haverá uma conseqüente perda de produtividade do pomar e da própria produção de capim para ensilagem. Essa reposição poderá ser feita através da aplicação de adubos químicos ou de esterco do curral caso haja possibilidade de recolhimento e aplicação no pomar, sempre baseadas em análises de fertilidade dos solos e ou da composição de minerais das silagens produzidas.

A ensilagem do capim

O corte deve ser feito com aproximadamente 60 a 70 dias de crescimento no primeiro corte e 45 a 60 dias no segundo e demais. Neste estágio de maturação os capins normalmente apresentam uma concentração de matéria seca de 20%, abaixo do ideal para uma boa fermentação no silo. A colhedora indicada para o corte do capim não é a mesma utilizada para culturas como milho e sorgo, plantada em linha. A máquina indicada é a do tipo “taarup”, com plataforma de corte do capim e repicadora similar às das colhedoras de milho para picar adequadamente o material para colocação dentro do silo. O tamanho ideal das partículas é de 1,5 a 2,0 cm em média, ou menos. Estes equipamentos têm preço bastante variável de R$ 12.000,00 a 35.000,00 aproximadamente, dependo de marca e modelo. Esse material pode ser armazenado em silos tipo trincheira, poço, aéreo ou em superfície (com ou sem lateral). Silos que permitem uma compactação adequada do material são os mais recomendados.

Aditivos para melhoria do processo fermentativo

Conforme comentado em outros artigos desta seção, os principais entraves das gramíneas tropicais como espécies para serem ensiladas se referem ao seu alto poder tampão dentro do silo, o baixo teor de matéria seca e o baixo nível de carboidratos solúveis no momento do corte. O baixo teor de matéria seca (abaixo de 28%) concorre para dificultar a conservação e diminuir a qualidade da silagem, proporcionando condições para o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis como fungos, leveduras e bactérias do gênero Clostridium produtoras de ácido butírico. O elevado poder tampão dificulta o abaixamento do pH da massa ensilada, potencializando o efeito dos microrganismos indesejáveis sobre a estabilidade da silagem. O baixo teor de carboidratos solúveis é insuficiente para produção de níveis adequados de ácido lático, que é o principal ácido orgânico de silagens de boa qualidade e valor nutritivo.

Com o intuito de elevar o teor de matéria seca dos capins para ensilagem, pode-se utilizar o emurchecimento, que é uma prática vantajosa pelos benefícios que proporciona à fermentação, conservação, diminuição de perdas por drenagem no silo e, principalmente, no consumo de matéria seca pelos animais. Pode-se, também, adicionar à silagem outros materiais com elevado teor de matéria seca, com esta finalidade (aproximadamente 10 a 15% do peso do capim); porém todas estas práticas aumentam os custos da silagem. Com relação aos carboidratos solúveis, seu aumento pode ser conseguido adicionado melaço, cana-de-açúcar (30% da mistura, em média), entre outros.

Comentário BeefPoint: Conforme temos salientado, toda decisão de mudança dentro de um sistema de produção agropecuário deve levar em consideração os seus efeitos sobre outros fatores produtivos e a rentabilidade desse sistema a curto e longo prazo. Podemos enfatizar:

a. A competição entre as duas culturas é clara e evidente, exigindo uma reposição de nutrientes aos pomares, e a reposição através do retorno do esterco precisa ser bem avaliada quanto à sua decomposição e momentâneo seqüestro de nitrogênio do solo, além de possíveis problemas fitossanitários decorrentes dessa prática sobre os pomares.

b. O custo de produção das silagens, além dos componentes normais da planilha de custos, deve englobar a reposição de nutrientes, aquisição de máquinas e suas depreciações, uso de aditivos, etc. O teor de matéria seca é um fator importantíssimo na comparação de custos, pois o que importa na nutrição animal é a ingestão de nutrientes (matéria seca), exceto a água, que deve ser fornecida à vontade e com boa qualidade. Quando comparamos uma silagem de capim com 20% de matéria seca e outra de milho com 35%, precisamos transformar os valores para toneladas de matéria seca. Nesse caso, para um custo de R$ 14 reais/t de MV, a t de MS custaria R$ 70,00. Para a silagem de milho desse exemplo, um custo de R$ 24,00/t MV significa o mesmo custo por tonelada de matéria seca, com a vantagem de possuir na sua composição, uma quantidade maior de nutrientes e portanto requerer uma complementação através do concentrado menor. Portanto, deve haver um cuidado muito grande na comparação de custos de volumosos com diferentes concentrações de umidade.

c. A produção de silagens de capins tropicais é uma realidade e uma necessidade num país tropical como o Brasil.

Fonte: Suplemento Agrícola do jornal o Estado de S. Paulo, de 31 de janeiro de 2001. O artigo foi escrito pelo jornalista Brás Henrique.

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