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11 de agosto de 2026

Preços do gado nos EUA ainda não atingiram o teto, diz economista

Oferta restrita, demanda firme por carne bovina e recuperação lenta do rebanho devem manter os preços elevados nos Estados Unidos. Produção pode continuar menor até 2028.

Os preços do gado nos Estados Unidos ainda têm espaço para subir. A avaliação é de David Anderson, economista especializado em comercialização de gado do Texas A&M AgriLife Extension Service e professor do Departamento de Economia Agrícola da Texas A&M University.

Segundo Anderson, a combinação entre menor disponibilidade de animais e demanda firme por carne bovina cria condições para que os preços permaneçam elevados e avancem ainda mais nos próximos meses.

A recuperação da oferta, porém, deverá ser lenta. O economista prevê que os Estados Unidos produzirão menos carne bovina em 2026, 2027 e possivelmente até 2028. Entre os fatores que dificultam a expansão do rebanho estão a seca nas Grandes Planícies, os custos elevados dos insumos, as taxas de juros e a volatilidade do mercado, incluindo questões comerciais, tarifas e problemas sanitários.

Preços podem continuar avançando

Atualmente, o gado terminado é negociado, em média, a cerca de US$ 5,07 por quilo. A projeção apresentada por Anderson é de que o valor possa alcançar entre US$ 5,36 e US$ 5,40 por quilo no próximo trimestre.

Em 2027, os preços podem chegar a US$ 5,51 a US$ 5,64 por quilo.

Para animais mais leves, com peso entre 227 e 272 quilos, os preços recuaram nas últimas semanas, passando de aproximadamente US$ 10,50 para US$ 9,64 por quilo. A expectativa, entretanto, é de recuperação para US$ 10,12 a US$ 10,30 por quilo no segundo trimestre de 2027.

“Teremos uma oferta mais apertada com uma boa demanda, e essa é uma receita para preços mais altos”, afirmou Anderson.

Retenção de fêmeas ainda é limitada

Um dos principais pontos para entender a demora na recuperação da produção está na recomposição do rebanho.

De acordo com Anderson, os produtores reduziram o descarte de vacas, mas ainda não estão retendo novilhas em quantidade suficiente. Com os preços atuais elevados, muitos enfrentam a decisão entre vender as fêmeas agora e aproveitar a boa remuneração ou mantê-las no rebanho para produzir bezerros no futuro.

“Na maioria dos casos, o cheque na mão tem sido mais atraente do que o cheque dos futuros descendentes”, afirmou o economista.

O relatório de julho sobre o rebanho bovino do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou a retenção de 100 mil novilhas. Para Anderson, o número ainda não é expressivo, mas representa um sinal de que o processo de expansão começou.

Importações do México devem aumentar oferta, mas efeito será limitado

Outra possibilidade de aumento da disponibilidade de animais nos Estados Unidos está nas importações de bovinos do México, diante da previsão de reabertura de pontos de entrada na fronteira.

Segundo Anderson, o impacto dependerá da velocidade das reaberturas e do número de animais que efetivamente entrarão no país. Santa Teresa, no Novo México, é o maior ponto de entrada de bovinos mexicanos, movimentando normalmente mais de 500 mil cabeças por ano.

A expectativa do economista é de retomada gradual das importações de animais para engorda, mas sem alcançar os volumes observados em 2024 e nos anos anteriores.

Mesmo com esses animais aumentando a oferta, Anderson não espera uma pressão significativa sobre os preços. Isso porque os bovinos importados não chegarão ao varejo como carne antes de meados de 2027, limitando os efeitos sobre a oferta no curto prazo.

Além disso, o aumento do peso de carne produzido por animal pode ajudar na recuperação da oferta mesmo sem uma expansão tão intensa do número total de bovinos. Ainda assim, diante da recomposição lenta do rebanho e da oferta restrita, a perspectiva apresentada é de preços do gado elevados por mais tempo nos Estados Unidos.

Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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