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Previsão do futuro

Caio Junqueira Filho

Com a disseminação do cristianismo pelo mundo ocidental, surgiu um Deus único como guia orientador do futuro. A conduta moral e de fé dirigia a contemplação do futuro, que ainda não era susceptível a nenhum tipo de expectativa matemática. Os primeiros cristãos limitavam suas profecias apenas ao que aconteceria após a morte, por mais que suplicassem a Deus para influenciar os acontecimentos a seu favor.

A busca por uma vida melhor na Terra continuou. No ano 1.000, as navegações por grandes distâncias eram utilizadas pelos cristãos, que encontraram o império árabe, criado por Maomé em 700 d.C., localizado ao leste até a Índia. Os cristãos, que cultuavam a fé no futuro, se depararam com os árabes, que haviam atingido uma sofisticação intelectual bem superior.

Com a invasão da Índia, os árabes se familiarizaram com o sistema de numeração hindu, incorporando avanços intelectuais orientais à sua pesquisa científica e experimentação, atingindo resultados imensos que se estenderam ao Ocidente.

Os árabes, de posse do conhecimento dos algarismos hindus, transformariam a matemática e a medição em astronomia, navegação e comércio. Novos métodos de cálculo substituíram gradualmente o ábaco, que durante séculos fora o único instrumento aritmético.

À medida que o novo sistema de numeração tomou lugar do simples ábaco, a escrita substituiu as fichas móveis na execução dos cálculos. O cálculo por escrito estimulou o pensamento abstrato, que abriu caminho para áreas da matemática insuspeitadas no passado. Com esta revolução, as viagens marítimas poderiam ser mais longas, a medição do tempo, mais exata, a arquitetura mais ambiciosa os métodos de produção, mais elaborados.

Os algarismos arábicos não foram suficientes para induzir os europeus a substituírem a aleatoriedade pela probabilidade sistemática, e acreditarem que o futuro, até certo ponto, pode ser previsível ou até mesmo controlável.

O Renascimento e a Reforma protestante foram os precursores do controle do risco. O misticismo cedeu espaço à ciência e à lógica.

A Reforma significou mais do que uma mera mudança da relação da humanidade com Deus. Ao eliminar a confissão, ela alertou as pessoas de que, dali por diante, teriam de caminhar por conta própria, se responsabilizando por suas próprias decisões. Com essa abertura de opções e decisões, reconheceu-se gradualmente que o futuro oferecia oportunidades, além de perigos.

Os séculos XVI e XVII foram de exploração geográfica, e de experimentação na arte, nas formas poéticas, na ciência, na arquitetura e na matemática. O novo censo de oportunidade acelerou consideravelmente o comércio, servindo como poderoso estímulo à mudança e à exploração. Colombo procurava uma nova rota comercial até as Índias. A perspectiva de enriquecer é altamente motivadora, e poucos ficam ricos sem correr riscos. O comércio é um negócio arriscado. À medida que o crescimento do comércio transformou os princípios do jogo em geração de riqueza, o resultado foi o capitalismo.
O capitalismo não poderia ter aparecido sem duas novas atividades, que até então eram desnecessárias, enquanto o futuro fora uma questão de acaso ou vontade divina. A contabilidade, com novas técnicas de numeração e contagem. E a previsão, atividade desafiadora que associa assumir riscos com compensações diretas.

Ninguém planeja comprar, produzir, vender, fixar preço, obter dinheiro emprestado e organizar sem antes tentar determinar o que o futuro poderá reservar. O empresário de sucesso é antes de tudo um previsor.

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