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Prorrogação do Cade afeta planos de Marfrig e Minerva

A possibilidade de uma nova extensão nos prazos de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o acordo de venda de ativos que Minerva e Marfrig fecharam em 2023 vai impor novos desafios às empresas, duas das três maiores do segmento de carnes do país. Em agosto do ano passado, a Minerva fechou a comprar, por R$ 7,5 bilhões, de 16 plantas da Marfrig na América do Sul, sendo 11 no Brasil. Do valor total, R$ 1,5 bilhão já foram pagos.

Mas, nesta semana, a Superintendência-Geral do Cade declarou que a operação de compra de ativos é “complexa”. Nesses casos, a Superintendência-Geral poderá requerer ao tribunal a prorrogação do prazo de análise — que é de 240 dias, mas o eventual acréscimo pode ser de até 90 dias. Com isso, o período total de avaliação do negócio ficaria em até 330 dias, a contar do protocolo de petição ou de sua emenda, com chances do resultado vir somente no fim do ano.

Para o estrategista-chefe da Rb Investimentos, Gustavo Cruz, a morosidade no processo é prejudicial para as companhias. “A Minerva, com a presença internacional, precisa de mais plantas, enquanto a Marfrig, após a compra de participação da BRF, aproveitaria muito os recursos da venda de unidades”, avaliou.

Em seu último balanço financeiro, divulgado no mês passado, a Marfrig chegou a fazer um exercício com o cálculo da redução na alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) que viria com a aprovação da venda de ativos. A companhia espera que a alavancagem em reais caia de 3,72 vezes para 3,07 vezes à medida que os R$ 6 bilhões restantes entrem no caixa. “O mercado já tinha precificado esse benefício”, disse Cruz.

No caso da Minerva, o especialista avalia que a maior exportadora de carne bovina da América do Sul tem aproveitado muito as aberturas comerciais do Brasil para a proteína, como o crescimento de embarques para o México e Indonésia, por exemplo, além da recente rodada de habilitações pela China a frigoríficos brasileiros. A chegada de novas plantas ajudaria nesse processo.

Lucas Bonventi, analista da Genial Investimentos, acredita que a Minerva é a que mais pode sair perdendo com a demora no Cade, “uma vez que, quanto mais a aprovação atrasar, menos tempo ela terá para aproveitar o ciclo favorável do gado no Brasil com as plantas que comprou”, disse. A oferta de animais para abate ainda será de ampla neste ano. Ou seja, o custo para a indústria será menor.

Outro fator a ser considerado é que a demora na aprovação pode levar a uma correção pelo CDI do valor que as empresas acertaram no negócio. Isso pode gerar um pagamento adicional de R$ 500 milhões, alertou Bonventi.

O fundador e presidente do Conselho de Administração da Marfrig, Marcos Molina, já havia citado essa correção em março, durante teleconferência com analistas. Na ocasião, o empresário disse ainda que “todo o risco de Cade é do Minerva”, em referência à demora no processo.

A nota técnica que embasa a decisão da Superintendência do Cade como uma operação complexa aponta a necessidade de uma série de diligências no processo. O recebimento e processamento de dados que o órgão antitruste solicitou aos envolvidos e afetados pelo negócio é um dos itens na lista de exigências.

Ao longo do percurso, ocorreu a solicitação de informações a associações e pecuaristas de Goiás, Mato Grosso e Rondônia, Estados em que poderia haver sobreposição nas operações.

“Esses dados deverão ser processados para que seja construído um teste de mercado que permita melhor caracterizar o cenário hodierno da cadeia de carne bovina no país, incluindo condições de rivalidade com frigoríficos menores, poder de mercado das Requerentes e dos maiores frigoríficos do país, dentre outras variáveis concorrencialmente sensíveis presentes nesta operação e para os mercados relevantes afetados por ela”, informou o texto da nota técnica. Procuradas pelo Valor, Marfrig e Minerva não comentaram.

No ano passado, quando anunciaram a operação de compra de ativos ao Cade, as empresas apresentaram o negócio como “ato de concentração sumário”, formato destinado a operações consideradas simples. Nesses casos, o prazo para resposta é de 30 dias.

Em seguida, a Superintendência do órgão antitruste considerou que não se tratava de uma operação simples e modificou para ato ordinário, com um prazo de análise que poderia chegar a 240 dias. Esse prazo começou a ser contado em 22 de janeiro, e não mais a partir da data de apresentação. Isso ocorreu porque foi em janeiro que a Superintendência pediu novas informações a respeito da operação.

Fonte: Globo Rural.

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