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Rastreamento e confiabilidade no sistema produtivo de carne bovina

A questão da rastreabilidade na cadeia da carne bovina no Brasil tem recebido muitos comentários na imprensa, mas como de praxe, pouca atenção objetiva por parte do governo e principalmente pelos maiores interessados, isto é, os componentes da própria cadeia.

Um dos argumentos usados é que o sistema de rastreamento implantado (ou em implantação) nos países da Comunidade Européia, e portanto, que será exigido para controle da importação de carne bovina não é adequado para o Brasil, pois a extensão territorial e os sistemas de produção são muito diferentes. Não cabe discutir aqui a validade da argumentação em si, mas o que foi feito para estabelecer um sistema de rastreamento adequado às condições brasileiras e que poderia ser aceito, após entendimentos comerciais com nossos atuais e potenciais clientes. Na prática quase nada foi feito.

Como dar tão pouca atenção a uma exigência que será sem dúvida a mais importante em termos de credibilidade de qualquer cadeia produtiva? O que de fato tem contribuido para esse descaso. Seria a aversão em seguir normas ou regras? Seria o medo dos produtores ou de suas associações em ficarem vulneráveis a controles fiscais, sanitários e de uso de produtos não permitidos ou com exigência de carência mínima?

Ontem pelo rádio e hoje pela imprensa escrita tivemos conhecimento da notícia: pecuaristas pedirão a Pratini o rastreamento do rebanho. Notícia muito boa e ao mesmo tempo um pouco desencorajodara, pois o que está sendo pedido é o desengavetamento do projeto de rastreamento do rebanho brasileiro. Pois é, existe um projeto apresentado pelo Governo em junho de 1998 que ao invés de estar sendo analisado, adaptado, discutido com todos os setores interessados, principalmente com os clientes da cadeia, tanto nacionais como internacionais, está simplesmente engavetado.

Quais seriam as razões desse engavetamento? Pressões de componentes da cadeia que teriam seus interesses de curto prazo prejudicados como mencionado anteriormente? Falta de conhecimento da importância do rastreamento, ou simplesmente descaso e falta de responsabilidade tanto de autoridades governamentais como da maioria dos componentes da cadeia da carne bovina?

Em tempos de BSE e de outras doenças que podem denegrir a imagem da carne bovina, o conhecimento da origem está altamente correlacionado com a confiança dos consumidores em não excluí-la do cardápio.

Rastreamento e rastreabildade não devem ser consideradas apenas palavras da moda, mas sim estado de espírito de todos aqueles envolvidos na produção de carne bovina. O estabelecimento e principalmente o cumprimento de um sistema de rastreamento deve ser prioridade número um da cadeia da carne bovina. Não devemos, por falta de atendimento de normas e regras que estão sendo cada vez mais exigidas pelos consumidores, ficar sujeitos tanto a barreiras não alfandegárias e possíveis retaliações do mercado internacional, como a campanhas contra a carne bovina no mercado local. Não devemos permitir que o leite seja derramado, pois aí seria tarde demais.

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