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Ronaldo Cunha: nosso desfrute no modelo antigo era 25-30%, hoje é 55% e nosso objetivo é chegar a 70%

No próximo dia 18 de julho, o BeefPoint promove o Workshop Integração Lavoura-Pecuária e ILPF, com palestras em formato estudos de caso de sucesso sobre essa tema.

Confira abaixo a entrevista com Ronaldo Rodrigues da Cunha, agropecuarista e diretor da Agropecuária Rodrigues da Cunha, em Mirassol D’Oeste- MT.

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BeefPoint: Fale um pouco sobre o trabalho que você vem desenvolvendo.

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Temos dedicado os últimos anos à estudos e experiências em nossas fazendas para buscar um aumento significativo na nossa eficiência e consequentemente na nossa renda. Atuávamos anos atrás com pecuária tradicional e concluímos que naquele modelo chegaríamos a um caminho sem volta.

Nossas terras, explorando somente pecuária, ano após ano perdia fertilidade e consequentemente produzia menos arrobas por hectare. Com isso, tivemos menos faturamento, menos lucro e ainda degradamos cada vez mais os nossos pastos. Resolvemos então integrar a lavoura em nossa pecuária.

BeefPoint: O que você considera mais importante em uma fazenda de ILP (ou ILPF)?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Sem dúvida, a maior importância da integração é o resgate da produtividade em nossas fazendas. Infelizmente as margens de lucro que a pecuária sozinha deixa no campo não pagam os investimentos necessários para a mecanização e correção dos nossos solos. A agricultura entra para ajudar a pagar esta conta, pois tem um ciclo muito mais rápido e ferramentas na comercialização dos seus produtos que nos expõe menos ao risco.

BeefPoint: Qual o exemplo de pecuária do futuro na ILP (ou ILPF) no Brasil hoje? Quem você admira por fazer um excelente trabalho?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Para ser sincero, não buscamos modelos prontos para seguir, concluímos que precisávamos mudar e procuramos em primeiro plano aprender e entender um pouco do que era a agricultura e como funcionavam as coisas. Para nossa surpresa, era mais simples do que imaginávamos. Era montar uma equipe competente, acreditar no negócio e pé no acelerador.

Desde que sua fazenda tenha uma topografia apropriada e chova razoavelmente bem, o negócio não tem erro, é elementar.

A pecuária isolada vai sugar sempre mais do solo, pois não devolvemos o que ela extrai, daí teremos menos capacidade de apascentamento, menos boi na fazenda. Quando integramos agricultura nestas áreas, a tendência se inverte.

BeefPoint: Qual o maior desafio da ILP (ou ILPF) no Brasil hoje?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Os maiores desafios são os investimentos necessários para se fazer a integração. Nós pecuaristas, sempre tivemos crédito muito limitado e quando aparecia o dinheiro, tínhamos medo de tomar. Lembro que para conseguir um financiamento anos atrás, de um trator de 80 cv, a burocracia e a dificuldade era tanta que desistíamos antes da hora.

Já para a agricultura, existem recursos suficientes, principalmente para aquisição de máquinas e implementos, com juros razoáveis e prazo para pagamento satisfatórios. Agora, é sempre bom lembrar que temos que fazer investimentos conforme nosso bolso, pois a conta, mesmo que demore um pouco, sempre chega.

BeefPoint: Em relação a ILP (ou ILPF), qual inovação / novidade na pecuária de corte você mais gostou dos últimos anos? O que estamos precisando em inovação?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Uma das práticas que temos adotado há alguns anos e que tem dado um bom resultado é o plantio de brachiaria ruziziensis junto com a safrinha de milho. Quando colhemos o milho, ficamos com o solo formado de braquiária, que tanto serve como cobertura para a safra futura de soja, como também de terceira safra, colocando bois em cima. Nas áreas que conseguimos fazer este sistema, conhecido como santa fé, temos colhido 5 sacas de soja a mais na safra seguinte. Ainda usamos estas áreas para depositar os bois que estão aguardando o segundo turno do confinamento.

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Brachiaria ruziziensis

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Terceira safra, capim no mês de julho

BeefPoint: O que você implementou de diferente na sua ILP (ou ILPF) em 2012? O que você fez em 2012 que te trouxe mais resultados?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: O que conseguimos fazer no último ano foi cobrir com safrinha 100% da nossa área plantada. Como a nossa primeira safra é voltada para produção de grãos para exportação, dependemos das áreas de safrinha para produzir alimentos para os bois que vamos confinar.

Este ano tivemos um aumento substancial no volume de grãos produzidos na safrinha e em consequência vamos produzir em torno de 30% a mais de carne nos confinamentos.

BeefPoint: O que você pretende fazer de diferente em 2014, em ILP? E porquê?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Em 2014, pretendemos consolidar o nosso projeto de integração de uma de nossas fazendas, a Estrela do Sangue. O nosso projeto lá consiste em termos 2/3 da área em agricultura e 1/3 em pecuária, sempre rodando a área de pecuária a cada duas safras. É importante começar a voltar as áreas para pecuária após 4 anos de agricultura, tempo este necessário para resgatar a produtividade do solo e produzir pastos com alto poder de conversão e um suporte muito maior.

Neste sistema de integração conseguimos colocar em 1/3 da área de pecuária recuperada a mesma quantidade de bois que tínhamos na fazenda inteira, sobrando assim 2/3 da área da fazenda para produzirmos na primeira safra grãos para exportação e na safrinha produzimos alimentos para confinar grande parte dos bois que estão no talhão da pecuária.

BeefPoint: O que o setor deveria fazer para aumentar a competitividade da ILP (ou ILPF) no Brasil?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Um dos objetivos e vantagens da integração é que nós passamos a produzir produtos distintos em nossas fazendas, carne e grãos, diminuindo assim o risco de ficarmos alavancados em um único produto.

Acho que com a ILP, aumentamos em muito a competitividade em relação a outras formas de exploração, como as florestas e canaviais. Acho que temos que buscar cada vez mais ter um produto de alta qualidade, principalmente a carne, para buscarmos preços melhores no mercado.

BeefPoint: Qual seu recado para produtores de gado de corte, em especial os interessados em ILP (ou ILPF)?

Ronaldo Rodrigues da Cunha: Quando resolvemos mudar o modelo e começarmos com a integração, recebemos a visita de um amigo pecuarista que nos disse o seguinte: “Para fazer o que vocês estão fazendo aqui, não adianta ter somente crédito e dinheiro, tem que ter muita coragem e ser meio louco”.

Realmente, ele ficou assustado, pois estávamos investindo naquela fazenda o valor de outra do mesmo tamanho. Não estamos arrependidos, pois para se ter uma idéia, a fazenda Tamboril, que foi a primeira que fizemos a integração, tem 6% das nossas áreas exploradas em Mato Grosso e é responsável por mais de 50% do faturamento de todas somadas. A taxa de desfrute de animais das fazendas, que no modelo antigo girava em torno de 25 a 30%, hoje está na casa dos 55% e o nosso objetivo é abater 70% do nosso rebanho todos os anos, e posso lhes garantir que este dia não está longe.

Para finalizar: quem gosta de sossego e tranquilidade, esqueça a ILP, pois nosso negócio passa a se parecer muito mais com uma indústria do que com uma fazenda, mas a conta melhora muito, pode ter certeza.

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Vista aérea do confinamento da Fazenda Tamboril, que faz ILP. Capacidade para 20.000 bois/ano

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Bois confinados na Fazenda Tamboril

2 Comments

  1. Adilson Aparecido Lucas disse:

    Boa Entrevista, falou bonito, somente a nossa realidade , quem Gosta de Sossego e Tranquilidade não trabalha no Escritório da Agropecuaria Rodrigues da Cunha , aqui a espora é batida.

    Adilson Aparecido Lucas. Colaborador.

  2. sergio moacir de andrade disse:

    Boa noite, tdo q está dando resultado tem q ser copiado,abraços

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