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Suplementação protéica e energética de animais em pastejo, manejo e custo benefício. Parte III: Custo benefício da suplementação protéica

Toda a discussão apresentada nos artigos anteriores foi baseada em conhecimentos sobre nutrição de ruminantes disponível na literatura, que foi sendo adquirido através de experimentação em várias partes do mundo. O importante, do ponto de vista prático, é adequar o conhecimento disponível através de experimentação local para avaliar a economicidade da suplementação. Muitas vezes, as Instituições de Pesquisa locais caminham atrás da iniciativa privada em testar novos conhecimentos em condições práticas de produção. Esse fato ocorre em várias partes do mundo e não foi exceção no Brasil, principalmente em relação à suplementação com sal protéico para diferentes categorias animais.

A seguir serão feitas algumas recomendações de suplementação e considerações sobre o custo benefício com base em dados experimentais quando disponíveis ou em dados obtidos diretamente em condições de produção. Os dados são apresentados em termos de gramas de ganho por grama de suplemento ou de aumento da eficiência reprodutiva para uma determinada quantidade de suplemento. O cálculo final da economia da suplementação fica por conta do interessado.

1. – Suplementação com PDR durante a seca

Deve ser feita para todas as categorias animais quando o teor de PB da forragem consumida estiver abaixo de 7%, base seca, e quando as disponibilidades de MS por animal e por hectare estiverem adequadas (valores médios sugeridos de 8 a 10% do peso vivo e de 1.500 a 2.000 kg/hectare, respectivamente). Embora óbvio, é importante chamar a atenção para que a matéria seca disponível seja uma mistura de folhas verdes e ou secas e talos e não somente talos. Nessas condições, pelo menos uréia e enxofre são recomendados e apresentarão retorno econômico para todas as categorias animais pós-desmama. A recomendação de outras fontes de PDR para compor o suplemento protéico vai depender da categoria animal e dos objetivos da suplementação.

1.1. – Matrizes adultas secas prenhes

Essa é a categoria menos exigente que deve fazer parte do rebanho durante o período da seca. Em condições corporais normais para índices de prenhez da ordem de 80% (em torno de 5, escala de 1 a 9), somente a suplementação com uréia incluída no sal mineral seria indicada (20 a 30 g de uréia por dia). Para vacas com condição corporal abaixo de 5, a inclusão de suplementos protéicos orgânicos como fonte de PDR, além da uréia, seria indicada para possibilitar o aumento do teor de PDR próximo do exigido com base no teor de NDT da forragem consumida (ingestão de 0,5 a 1,0 g/kg de PV de um proteinado com 40 a 50% de PB). Além de um possivel aumento da taxa de prenhez na estação de monta (EM) subsequente, outro vantagem em propiciar uma condicão corporal em torno de 5 é o aumento da concentração de prenhez no início da estação de monta e consequentemente o aumento da concentração de parição no início da estação de parição. É sabido a muito tempo que quanto maior a proporção de parição no início da estação maior a taxa de prenhez na estação de monta seguinte. Aumentos da ordem de 15 a 20% (10 a 15 unidades percentuais) tem sido verificados na prática quando fêmeas prenhes com condição corporal abaixo de 5 são suplementadas com sais protéicos durante a seca (consumo de 45 kg de sal protéico – 150 dias a 0,3 kg/dia).

1.2. – Matrizes prenhes em crescimento (até 4 anos de idade)

Essa categoria é mais exigente que a anterior porque além das funções de mantença e de gestação, apresentam exigência para crescimento. Normalmente, nas mesmas condições de matrizes adultas, o desempenho tende a ser inferior. O fornecimento de sal proteinado com 40 a 50% de PB na base de 0,7 a 1,0 g/kg de PV durante a seca e até meados da EM tem aumentado o índice de prenhez em até 40% (15 a 20 unidades percentuais). O consumo de proteinado tem sido da ordem de até 70 kg no periodo (200 dias a 0,35 kg/dia).

1.3. – Novilhas prenhes

Os resultados obtidos com essa categoria têm sido similares aos obtidos com a categoria anterior. A recomendação é o fornecimento de proteinado com 40 a 50% de PB na base de 0,8 a 1,0 g/kg de PV durante a seca até a metade da estação de monta de verão (consumo de até 60 kg – 200 dias a 0,3 kg/dia).

1.4. – Novilhas e garrotes

Fornecimento de proteinado com 40 a 50% de PB na base de 0,8 a 1,2 g/kg de PV. Respostas da ordem de 0,4 a 0,6 g de ganho por grama de suplemento têm sido obtidas.

1.5. – Bezerros e bezerras desmamadas

Fornecimento de proteinado com 40 a 50% de PB na base de 1,0 a 2,0 g/kg de PV. As respostas têm sido da ordem de 0,5 a 1,0 g de ganho por grama de proteinado consumido.

1.6. – Machos em acabamento

Fornecimento de 0,5 a 0,8 g/kg de PV de proteinado com 40 a 50% de PB, com respostas de 0,3 a 0,5 g de ganho por grama de suplemento consumido.

1.7. – Touros

As recomendações são as mesmas para matrizes adultas secas prenhes ou matrizes prenhes em crescimento, dependendo da idade e da condição corporal.

2. – Suplementação com PDR durante o período das águas

Em pastagens não adubadas e manejadas com taxas de lotação para permitir certo acúmulo de forragem para os períodos de outono e inverno, o teor de PB e mesmo o de PDR da forragem ingerida pode estar abaixo do necessário para maximizar a utilização da energia potencialmente disponível nos períodos de verão e outono. Pastagens adubadas com nitrogênio, no início da fase linear de resposta de produção de MS à adubação, principalmente durante o verão, podem também apresentar baixos teores de PB e de PDR. Os animais em crescimento são os candidatos naturais para receber suplementos protéicos com PDR proveniente principalmente de fontes protéicas vegetais (suplementos protéicos com 30 a 35% PB). Fornecimento de quantidades de 0,1 a 0,2% do PV tem propiciado respostas de 0,3 a 0,5 g de ganho por grama de concentrado ingerido. Uma categoria em crescimento que deve merecer consideração especial é a de bezerros (as) em amamentação. Proteinado específico para essa categoria tem apresentado ganhos adicionais de 0,5 a 0,7 g de ganho por g de proteinado.

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