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Trump sinaliza medidas para aumentar importações de carne bovina nos EUA, mas assinatura é adiada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a assinatura planejada para esta segunda-feira de ordens executivas que permitiriam o aumento das importações de carne bovina para os EUA e apoiariam a recomposição do rebanho bovino americano, em uma tentativa de enfrentar os altos preços da carne, informou o Wall Street Journal nesta segunda-feira.

A reportagem, que citou um funcionário da Casa Branca, contradiz uma declaração anterior da própria Casa Branca de que Trump assinaria as ordens na segunda-feira.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a reportagem e também não divulgou comunicados ou documentos explicativos sobre as medidas até o fim da noite de segunda-feira, algo que normalmente acontece após assinaturas de ordens executivas.

O jornal informou que Trump planejava suspender temporariamente as cotas tarifárias para carne bovina, permitindo mais importações com tarifas reduzidas, além de orientar a agência federal de pequenas empresas (Small Business Administration) a ampliar os empréstimos para pecuaristas e reduzir proteções ambientais para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos.

As expectativas de aumento das importações de carne bovina do Brasil pressionaram os contratos futuros de gado nos EUA nesta segunda-feira, após Trump se reunir com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Os contratos futuros de boi gordo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago (CME) recuperaram as perdas iniciais e encerraram ligeiramente em alta, enquanto os contratos de bezerros para agosto caíram 0,5%.

Embora os preços de ovos, leite e outros itens básicos de supermercado tenham caído desde que Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025, os preços da carne bovina continuam subindo, tornando-se um símbolo da inflação persistente para os consumidores americanos justamente no início da temporada de churrascos de verão.

Em outubro passado, Trump ordenou a quadruplicação das importações de carne bovina da Argentina e, um mês depois, removeu sua tarifa punitiva de 40% sobre carne bovina e café do Brasil.

As medidas fizeram pouco para reverter os preços da carne bovina, que estavam 12,1% mais altos em abril em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA. A carne bovina está mais de 16% mais cara do que quando Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025.

Ajuda para o hambúrguer

O rebanho bovino dos EUA caiu para o menor nível em 75 anos depois que pecuaristas reduziram seus rebanhos devido a uma seca persistente que destruiu pastagens e elevou os custos de alimentação. Os altos preços do gado também incentivaram os produtores a vender animais para abate em vez de mantê-los para reprodução.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projetou que o país importará um recorde de 2,6 bilhões de quilos de carne bovina neste ano, cerca de 6% acima de 2025 e 25% acima de 2024.

A maior parte das importações consiste em aparas magras de carne bovina, misturadas à produção americana para fabricação de carne moída, explicou David Anderson, economista agrícola da Universidade Texas A&M. Segundo ele, mais importações podem ajudar redes de hambúrgueres a reduzir custos com ingredientes, mas não devem provocar uma queda significativa nos preços para os consumidores.

“Já estávamos importando um volume recorde. Quanto mais isso realmente acrescentaria sobre o que já importávamos?”, disse Anderson. “Tenho dificuldade em enxergar um grande efeito nos preços. Seria difícil isso representar uma entrada massiva de oferta.”

Bill Bullard, CEO do grupo de produtores R-CALF USA, afirmou que o aumento das importações também pode desestimular pecuaristas americanos a expandirem seus rebanhos. Segundo ele, confinadores menores poderiam até sair da atividade caso os preços caiam o suficiente.

Os consumidores talvez não vejam benefícios, enquanto os pecuaristas enfrentam pressão crescente, afirmou Bullard.

“Temos tido importações recordes nos últimos três anos e, ao mesmo tempo, os consumidores continuam pagando preços recordes pela carne bovina”, acrescentou.

Fonte: Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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