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A importância do dimensionamento dos equipamentos de ensilagem e dos silos – Parte 2

No artigo anterior, comentamos sobre o potencial de colheita, ou seja, quantas toneladas de forragem podem ser colhidas por unidade de tempo, mais preferencialmente por dia, e a capacidade de transporte dessa forragem colhida até o local de armazenamento (silo).

Gostaríamos de salientar que o potencial de colheita deve ser adequado para colher toda a forragem produzida dentro de um período de tempo. Esse prazo é variável e dependente de como foi escalonado o plantio e de que híbridos foram utilizados. Normalmente, uma cultura como o milho permite um período médio de 10 dias para colheita, período esse em que a forragem mantém um teor de matéria seca entre 30 a 35%, considerado apropriado para o processo fermentativo. Se numa área de plantio utilizarmos vários híbridos (precoces, médios, normais, etc.) poderemos ampliar esse período de colheita. O uso de um escalonamento de plantio pode também permitir um aumento desse período, porém, pode haver interferência de períodos de seca e excesso de chuvas fazendo com que culturas semeadas em épocas diferentes acabem tendo seus períodos de colheita coincidentes. O potencial de colheita ideal é aquele capaz de colher toda a forragem disponível no período em que apresentar umidade apropriada para ensilagem. Subdimensionamentos, comuns em muitas propriedades, acabam por exigir que o produtor inicie a colheita antecipadamente, ensilando um material fora das características ideais. Super dimensionamentos são antieconômicos, principalmente pelo curto período de uso desses equipamentos ao longo do ano. O aluguel de máquinas, a terceirização da colheita e a associação entre produtores pode ser uma saída bastante técnica, mesmo sabendo que cooperativismo é ainda um tabu e que a terceirização da colheita eficiente e econômica ainda é uma novidade distante da maioria dos produtores.

O sorgo possui um período de colheita um pouco mais amplo por possuir um stay green mais acentuado que o milho, ou seja, permanece “verde”, mantém a umidade constante por um período mais longo de tempo.

Para estimativa de produção das culturas, utilizar dados gerados na própria fazenda, já que são comuns produções de 20 a 60 t de matéria verde por hectare. A previsão do tempo é um fator importante para melhor aproveitamento do já curto período disponível para a colheita.

A manutenção das colhedoras, principalmente no que se refere ao corte das facas e contrafacas deve ser feito pelo menos duas vezes por dia, ou mais, e esse tempo parado deve ser considerado no cálculo do potencial de colheita. É fundamental que essa manutenção seja feita para garantir uniformidade no tamanho das partículas.

Com relação à capacidade de armazenamento dos silos (trincheira, bunker, superfície, poço, aéreo ou encosta), essa depende do potencial de colheita e transporte existentes ou possíveis de serem atingidos e do volume de silagem a ser retirada diariamente, ou seja, do consumo diário do rebanho.

A capacidade de armazenamento de um silo trincheira, usado como exemplo, é obtido pela multiplicação do volume do silo pela densidade possível de ser obtida com a forragem. O volume é facilmente obtido pelo cálculo:

Volume (m3) = [ (base maior + base menor) / 2 ] * altura * comprimento

Onde:
Volume = volume do silo em metros cúbicos
Base maior = largura superior do silo em metros
Base menor = largura inferior do silo em metros
Altura = altura média do silo em metros
Comprimento = comprimento ou profundidade do silo em metros

Os silos trincheira devem apresentar uma largura mínima de duas vezes a bitola do trator (largura) para garantir uma compactação uniforme, senão haverá a formação de uma região que os pneus do trator não atingem, portanto, sem ou com reduzida compactação.

O volume obtido pode ser acrescido de 10 a 20%, dependendo da altura do abaulamento conseguido acima da superfície e das características do silo (se mais estreito e alto, ou mais largo e baixo). A densidade média utilizada nesses cálculos é na maioria das vezes de 500 kg de matéria verde / m3, porém pode variar de 400 a 700 kg, dependendo da umidade do material ensilado, do tamanho das partículas, da frequência de compactação (contínua ou intermitente) e da pressão exercida por essa compactação (peso do trator e largura dos pneus).

Foto

Silo tipo trincheira do “Setor Palmeiras” da Estação Experimental Central do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, SP.

É interessante que o proprietário obtenha dados da sua propriedade para definir qual densidade utilizar nos cálculos. Um forma de se obter esse cálculo é multiplicando-se o número de carretas/caminhões que descarregaram no silo multiplicado pelo peso da carga de cada um e dividido pelo volume final do silo após o abaixamento ocorrido com a lise celular (morte das células). Se isso não for possível, retirar do silo amostras de aproximadamente 20 x 20 x 20 cm, ou seja, com um volume conhecido, e pesá-las. Transformar os dados para kg de matéria verde / m3 multiplicando-se pelo fator 125. Se o volume da amostra for diferente, fazer os ajustes necessários nesse cálculo. É importante retirarmos várias amostras de um mesmo silo em diferentes pontos, calculando-se a média nos cálculos de capacidade de armazenamento.

Na maioria das situações, o ideal é enchermos um silo em 3 a 4 dias. Nunca fechá-los, quando pequenos, no mesmo dia. Esperar pelo menos a forragem sofrer o abaixamento pela morte da células e um melhor acomodamento do material ensilado. A morte das células ocorre após a retirada do oxigênio (ar), portanto, quanto mais intensa e eficiente a compactação e a velocidade de enchimento, mais rápido as células morrem e menos o material “assenta”. Usualmente, essa lise ocorre algumas horas após a completa expulsão do ar. Se a compactação for mal feita, o consumo de oxigênio será feito pela própria planta ensilada, através da queima de açúcares solúveis disponíveis e do crescimento de microrganismos aeróbios, principalmente fungos e leveduras . Quanto mais isso ocorrer, pior a qualidade final da silagem obtida.

Comentário BeefPoint: Silos maiores (mais que 300 t de material verde ensilado) necessitam de uma maior capacidade de colheita e transporte, ou um prazo maior para o enchimento total. Nesse caso é imprescindível que o silo vá sendo fechado parcialmente ao longo do período total de enchimento para evitar perdas pela presença de ar na massa. Como a maioria das propriedades não possui um adequado conjunto de equipamentos para colheita e transporte, é sempre mais prudente construir alguns silos de tamanhos menores do que apenas um de dimensões avantajadas, entretanto essa decisão deve ser criteriosa para não só provocar aumento dos custos de construção. O importante é que a soma das capacidades individuais dos silos seja suficiente para armazenar a forragem produzida e que essa forragem seja suficiente para alimentar o rebanho ou parte dele no período desejado. Perdas da ordem de 5% da forragem disponível no campo durante a colheita e transporte podem ocorrer, porém, podem ser maiores se o produtor optar por elevar a altura de colheita para manter uma maior disponibilidade de matéria orgânica no campo e aumentar a densidade energética da silagem pela maior proporção de grãos na silagem. Estimar a produtividade da cultura antes do corte através da coleta de amostras (2 metros lineares em duas linhas adjacentes) é sempre um dado importante no planejamento estratégico da colheita.

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