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Bem-estar animal: 6 empresas brasileiras estão no ranking global 2024

O Brasil tem seis empresas no ranking global Business Benchmark on Animal Welfare (BBFAW ou, em português, o Referencial Empresarial de Bem-Estar Animal), publicado nesta semana. São elas: BRF, Aurora Alimentos, JBS, Marfrig, Minerva e Habib´s. O rankin foi lançado em 2012 e tem o apoio da Compassion in World Farming e Four Paws, e de uma coalizão de investidores que administram cerca de US$ 2,3 trilhões (cerca de R$ 12 trilhões na cotação atual) em ativos.

Um total de 150 produtores de alimentos, varejistas e empresas de serviços alimentares globais, cuja receita combinada supera US$ 4,9 trilhões (R$ 25,2 trilhões), incluindo empresas como McDonalds, Tesco e Tyson Foods, foram classificados pelo BBFAW, que, este ano, introduziu critérios de avaliação mais rigorosos e um foco maior em “Impacto no Desempenho”, incluindo novas perguntas sobre como as empresas estão reconhecendo a necessidade de reduzir a dependência de alimentos de origem animal e de diversificar com o uso de proteínas alternativas.

No mundo, o ranking mostra que 95% das gigantes empresas globais do setor de alimentos reconhecem a importância do bem-estar animal e estão tratando o assunto com políticas de compromissos e governança mais clara. Poucos, no entanto, estão relatando a implementação bem-sucedida dessas ambições, com 93% recebendo as classificações mais baixas em “Impacto no Desempenho”.

O impacto de desempenho é uma avaliação dos efeitos tangíveis nas vidas dos animais de criação cultivados para a alimentação em cadeias de suprimentos corporativas. Por exemplo, o progresso em questões como o tempo que esses animais passam em transporte de carga viva ou em confinamento restrito, como gaiolas de gestação, continua decepcionantemente lento.

“Os critérios do referencial foram fortalecidos em 2024, então é encorajador que várias empresas, incluindo as três que alcançaram o status de “Nível 2”, estejam liderando pelo exemplo e mostrando que níveis elevados de progresso são possíveis”, diz Nicky Amos, diretora-executiva da BBFAW. “Por outro lado, a análise de hoje mostra que também há um longo caminho a ser percorrido para que o setor alimentício transforme conscientização e compromisso em benefícios demonstráveis para o bem-estar animal, com um grande número de animais de criação ainda sofrendo com práticas desumanas, como o confinamento restrito ou mutilações de rotina.”

Para Abigail Herron, chefe global de Política de Saúde e Natureza da Aviva Investors – um dos 32 investidores institucionais que apoiam o BBFAW – ele continua sendo um guia valioso para ajudar os investidores a analisar a qualidade da gestão de maneira sistemática e consistente em toda a indústria alimentícia global.

Mas, para apertar o passo, os critérios de avaliação do BBFAW mudaram substancialmente desde o último referencial (2021) para colocar um foco maior na promoção de mudanças significativas e na garantia de melhorias tangíveis às vidas dos animais de criação cultivados para a alimentação.

Confira os referenciais do ranking 2024 considerados bons sinais pela organização:

  • A maioria das empresas avaliadas (95%) agora identifica o bem-estar de animais de criação como uma questão comercial relevante, contra 79% em 2012.
  • Três empresas (Marks & Spencer, Premier Foods e Waitrose) alcançaram o status de “Nível 2”, demonstrando liderança ao fazer do bem-estar de animais de criação uma parte integral de sua estratégia comercial.
  • As empresas com as pontuações mais altas em “Impacto no Desempenho” – uma medida de quão bem as empresas demonstram benefícios reais de bem-estar para os animais de criação em sua cadeia de suprimentos global – foram as seis empresas (4%) que alcançaram uma classificação “C”: Marks & Spencer (Reino Unido), Groupe Danone (França), Premier Foods (Reino Unido), Waitrose (Reino Unido), Cranswick PLC (Reino Unido) e Migros-Genossenschafts-Bund (Suíça).
  • No geral, há níveis elevados de ambição em relação a ovos de galinhas criadas livres, com 73% das 141 empresas que possuem ovos em suas cadeias de suprimentos agora tendo compromissos com ovos de galinhas criadas livres.
  • Uma nova seção da avaliação constatou que 25% das empresas avaliadas reconhecem a necessidade de redução da dependência de alimentos de origem animal como uma questão comercial relevante, sendo que 21 empresas, incluindo Greggs, Sodexo e Carrefour, publicaram metas com prazos definidos.

No entanto, muitas descobertas no referencial deste ano também mostraram o trabalho que ainda precisa ser feito pelo setor alimentício:

  • A implementação está defasada em relação ao compromisso: 93% das empresas foram classificadas com “E” ou ‘F” em “Impacto no Desempenho”, e nenhuma organização alcançou as classificações máximas de impacto (“A” ou “B”). Empresas com a classificação de impacto mais baixa (“F”) incluem Amazon, Whole Foods, Domino’s Pizza Inc, Müller e Tyson Foods.
  • Sem política: 19 empresas globais de alimentos, incluindo a Yum China Holdings (proprietária do KFC na China) e a Domino’s Pizza Inc (EUA), ainda não publicaram uma política formal de bem-estar de animais de criação.
  • Confinamento restrito: 18% das empresas, incluindo a Tyson Foods e o WH Group (que inclui a grande produtora americana de carne suína Smithfield), não possuem políticas de compromisso para encerrar o uso do confinamento restrito. Apenas 9% das empresas com suínos em sua cadeia de suprimentos (13 de 137 empresas) estabeleceram metas viáveis para encerrar o uso de “baias para porcas” ou “gaiolas de gestação” – recintos de metal onde mal cabe um porco adulto e que são proibidos em jurisdições como Reino Unido, Suécia e vários estados norte-americanos. O BBFAW define uma meta viável com prazo determinado que restringe o uso de gaiolas a não mais que quatro horas, sendo que o Walmart e a Cargill estão entre aqueles que não cumprem este critério.
  • Mutilações de rotina: A maioria das empresas (52%) não possui políticas para lidar com mutilações de rotina – como marcação a ferro quente ou caudectomia em suínos e bovinos.
  • Transporte de carga viva: Apenas 27% das empresas avaliadas relatam que o transporte de animais de criação vivos é restrito a viagens curtas (ou seja, quatro horas ou menos para aves e coelhos; oito horas para outras espécies).

Fonte: Forbes.

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