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Cadeia da carne bovina começa a dar sinais de amadurecimento

A pecuária de corte do Brasil passou por situações que podemos classificar como muito importantes durante os últimos 12 meses. Os focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, e principalmente no Rio Grande do Sul, porque já estava sendo considerada região livre de aftosa sem vacinação, e a proibição de importação de carne bovina brasileira pelo Canadá e pelos demais países do Nafta devido a problemas relacionados à vaca louca foram críticos e ao mesmo tempo positivos para o amadurecimento dos que atuam na cadeia de produção da carne bovina.

O cancelamento da proibição de importação de produtos derivados de carne bovina pelos países do Nafta sem dúvida funcionou como um atestado de que a carne bovina brasileira, nas condições atuais, pode ser considerada segura. Deixou claro que o que motivou a proibição foram disputas comerciais entre os dois países em primeiro lugar, e não problemas relacionados à falta de atendimento pelas autoridades governamentais das exigências de relatórios sobre importação de bovinos principalmente da Europa, que de fato serviu apenas como justificativa da proibição para a comunidade internacional.

A mudança da classificação pela Comunidade Européia (CE) do risco de ocorrência de BSE (vaca louca) do nível 2 para o nível 1 foi provavelmente conseqüência da suspensão da proibição de importação pelos países do Nafta e também pelas atitudes e ações positivas do Governo Brasileiro sob liderança do Senhor Ministro da Agricultura.

Esses acontecimentos, embora não aumentem de imediato as exportações brasileiras de carne bovina para a Europa, enquanto persistir o impacto negativo do alargamento da ocorrência de casos de BSE em outros países do continente Europeu no consumo de carne bovina, sem dúvida estão abrindo novos mercados e ou ampliando outros de grande potencial, que normalmente importavam preferencialmente a carne bovina européia subsidiada.

Outros acontecimentos que acabaram favorecendo a pecuária bovina brasileira estão relacionados com a febre aftosa. O Brasil mostrou ao mundo total transparência em declarar focos de febre aftosa, e grande capacidade técnica e força política no isolamento e controle desses focos seguindo todas as normas e recomendações da Organização Internacional de Epizootias. Infelizmente, as autoridades Argentinas não tiveram o mesmo comportamento em relação à comunicação imediata de focos de febre aftosa, aparentemente vindo a admiti-los quando as ocorrências já tinham saído de controle. É claro que, no curto prazo, o Brasil terá vantagens comerciais, pois não terá um competidor em condições de concorrer para atender mercados que importavam carne da CE. Entretanto, a ocorrência de febre aftosa, nas dimensões atingidas na Argentina, coloca em grande risco a pecuária Brasileira. Todos os esforços têm que ser feitos para impedir sua entrada no Brasil. A ocorrência de febre aftosa na Inglaterra, seu alastramento pelo continente Europeu e o abate e a incineração de animais contaminados irá sem dúvida acelerar a falta de couros no mercado internacional, com conseqüente aumento de preços, favorecendo o Brasil que é grande exportador. Isso está ocorrendo em um momento propício, pois a cadeia de produção de carne bovina está começando a dar importância à qualidade do couro com incentivos e prêmios por qualidade. Hoje, o couro verde já está representando em torno de 15% do valor total do boi gordo.

Associados a todos esses acontecimentos positivos, o Brasil necessita urgentemente de um sistema prático e eficiente de cadastramento e rastreamento da cadeia da carne bovina, para ganhar em definitivo a credibilidade do mercado mundial. Como já mencionado em artigos anteriores, existem diferentes nichos de mercado para diferentes tipos de carne bovina, mas daqui para frente, para competir em qualquer um desses nichos serão necessárias informações detalhadas passíveis de serem rastreadas. Produtos certificados vão ser sem dúvida valorizados e vão ganhar cada vez mais mercado.

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