

O Nordeste abateu 1,004 milhão de cabeças de bovinos no quarto trimestre de 2025, maior patamar da série histórica recente, e exportou 51,38% mais carne no primeiro trimestre de 2026, com receita em dólares 71,08% acima do mesmo período do ano anterior. Foram 9,6 mil toneladas embarcadas para 84 países, com faturamento de US$ 44,9 milhões. Pernambuco liderou o avanço regional: +124% em volume e +174% em faturamento, impulsionado pela habilitação de plantas frigoríficas para exportação, segundo o Caderno Setorial Etene nº 427 do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área do Banco do Nordeste (BNB), elaborado pela zootecnista Kamilla Ribas Soares..
A América do Sul — com Uruguai e Argentina — absorveu 33,41% do total exportado pelo Nordeste no período. A Ásia, com destaque para Hong Kong, respondeu por 12,14%. O Uruguai liderou em volume, com 2,48 mil toneladas e faturamento de US$ 12,6 milhões, alta de 52% em volume e 75% em receita em relação ao primeiro trimestre de 2025. Egito e Líbia também figuram entre os destinos com volumes expressivos, e a Argélia registrou a maior variação entre os destinos selecionados: +244% em volume, segundo o MDIC/Secex (2026).
Entre os estados, Pernambuco registrou a maior expansão: +124% em volume e +174% em faturamento (US$). Maranhão avançou 30% em volume e 47% em receita. Bahia cresceu 65% em volume e 70% em dólares. Ceará registrou alta de 42% em volume e 49% em faturamento. Em Alagoas, houve retração de 47,5%. O desempenho está atrelado à habilitação de plantas frigoríficas para exportação nos três estados líderes, segundo o MDIC/Secex (2026).
O abate no Nordeste cresceu 2,96% no quarto trimestre de 2025 em relação ao terceiro, chegando a 1,004 milhão de cabeças, e avançou 9,08% em relação ao mesmo período de 2024. A produção de carne na região chegou a 252,66 mil toneladas no 4T2025, alta de 7,18% em comparação ao 4T2024, segundo o IBGE/PTA (2026a).
Entre os estados, Pernambuco registrou o maior crescimento no abate: 19,34% entre o 4T2024 e o 4T2025, passando de 116,03 mil para 138,47 mil cabeças. Rio Grande do Norte liderou a variação em produção de carne: +73,35% no mesmo período, de 4,56 mil para 7,91 mil toneladas. O resultado regional reflete a expansão de sistemas semi-intensivos e intensivos, o maior uso de tecnologia e a integração com regiões produtoras de grãos.
A Masterboi, frigorífico instalado em Canhotinho, no Agreste pernambucano, é um dos casos concretos dessa expansão. A empresa registrou crescimento de 57% nas exportações de carne bovina no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a companhia. Os principais destinos foram África, Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu. Presente no mercado há 25 anos, a Masterboi fatura R$ 3,5 bilhões, tem habilitação para exportar para mais de 140 países e atua em mercados estratégicos como China, Oriente Médio, Norte da África, América do Sul e Sudeste Asiático. A empresa reúne mais de 4 mil colaboradores em Pernambuco, Tocantins e Pará.
Para ampliar a capacidade exportadora, investiu cerca de R$ 60 milhões em um novo túnel de congelamento na unidade de Canhotinho, o que deve elevar o abate diário de 700 para 900 animais e gerar aproximadamente 200 novos empregos. A expansão se conecta a um movimento maior: em 31 de março de 2026, a Masterboi assinou memorando com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, no Palácio da Abolição, em Fortaleza, para instalar uma nova planta industrial em Iguatu (CE), a 362 km da capital, encerrando um hiato de 25 anos sem frigorífico de grande porte no estado.
O empreendimento prevê investimento de R$ 300 milhões, capacidade inicial de 500 abates por dia com potencial de chegar a 1.000, geração de mais de 200 empregos diretos e entrada em operação em 2028. A escolha de Iguatu considerou a logística da Transnordestina, que conecta o interior ao Porto do Pecém, além da disponibilidade hídrica e da presença de criatórios consolidados de gado de corte na região, segundo o governo cearense.
A cadeia da carne bovina no Brasil atravessa, desde 2025, fase de transição pela reversão do ciclo pecuário: retenção de fêmeas, redução gradual da oferta de animais para abate e valorização dos preços, segundo Kamilla Ribas Soares. O preço da arroba do boi gordo atingiu recorde de R$ 350,18 na média nacional no período analisado, segundo o Boletim Cepea (março 2026). O Censo do Confinamento, apurado pelo Cepea, registrou crescimento de 7,96 milhões para 9,25 milhões de cabeças confinadas entre 2024 e 2025 (+16%), com projeção de aproximação a 10 milhões em 2026.
Para o mercado externo, o ambiente permanece desafiador: conflitos geopolíticos, instabilidades logísticas e adoção de tarifas e cotas por parte de importadores — incluindo a implementação de cotas de salvaguarda pela China a partir de 2026 — pressionam o setor. O acordo de livre-comércio União Europeia-Mercosul abre caminho para exportação conjunta de 99 mil toneladas/ano de carne bovina a tarifa de 7,5%, com o Brasil detendo direito a 42% da nova cota, segundo a ABIEC. O Brasil deverá encerrar 2026 como maior produtor mundial, com 20% da produção global e volume estimado de 12,4 milhões de toneladas, retração de quase 2% em relação a 2025, reflexo da queda no abate pela reversão do ciclo pecuário, segundo o USDA (2026).
O conflito no Oriente Médio afetou os embarques de março. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, houve retração nos embarques para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia, mercados relevantes para remessas de carga viva, segundo o estudo do Etene. No mesmo mês, as exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 18,45 mil toneladas, crescimento de 2,04% em relação a fevereiro, com faturamento de US$ 93,72 milhões (+2,64%), segundo o MDIC/Secex (2026).
O BNB investiu cerca de R$ 26 bilhões na bovinocultura de corte entre 2020 e março de 2026, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Em 2025, os investimentos giraram em torno de R$ 6 bilhões, com 61% destinados ao Semiárido e 73% das operações concentradas na região. Os vínculos empregatícios na bovinocultura de corte na área de atuação do BNB cresceram 24,82% entre 2020 e 2024, passando de 92,29 mil para 115,20 mil vínculos ativos, segundo o MTE/RAIS (abril 2026).
Fonte: Movimento Econômico.