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Crise com Canadá gera incerteza e pára mercado de boi gordo

A crise Brasil-Canadá praticamente paralisou o mercado de boi gordo. Os preços ficaram estáveis ontem em São Paulo e no Mato Grosso, em R$ 39,00 e R$ 34,00 por arroba, respectivamente, mas os frigoríficos compraram apenas o necessário para manter as escalas no curto prazo, segundo reportagem de Alda do Amaral Rocha, publicada hoje no Valor Online.

A decisão do Canadá de suspender as importações de carne brasileira – seguida por Estados Unidos e México – alegando que haveria risco de vaca louca no Brasil gera incertezas entre os frigoríficos, que reduziram suas escalas de abate e até paralisaram algumas linhas de produção.

Esse é o caso do Bertin, que deu férias para 200 de seus 3.500 funcionários na unidade de Lins (SP). Segundo o gerente de exportação do frigorífico, Marcos Bicchieri, a suspensão das exportações de carne industrializada para os Estados Unidos levou a empresa a paralisar a linha de produção destinada àquele mercado. O Bertin exportou cerca de US$ 14 milhões em carne industrializada para os EUA em 2000.

O General Meat Food, de Santana do Livramento (RS), admite que pode parar as atividades e dispensar os 550 funcionários se EUA e Canadá, que compram 70% de sua produção, não reabrirem seus mercados. O frigorífico Pampeano, de Hulha Negra (RS) poderá conceder férias coletivas de 20 dias aos 336 funcionários a partir do dia 12 caso o problema não seja resolvido até lá. Em 2000, a empresa exportou cerca de US$ 12 milhões para os EUA.

Apesar de não exportar carne industrializada, o Frigoestrela, de Estrela d’Oeste (SP) também está sendo afetado. Ontem, Aruba, no Caribe, suspendeu a compra de um carregamento de 24 toneladas de carne in natura em decorrência da decisão do Nafta, informou Antonio Carlos Pelissari, diretor do Frigoestrela.

Segundo ele, as compras de boi estão em ritmo lento. Ontem era possível comprar boi a R$ 38 (livre de Funrural), informou.

Para Sérgio Penteado, da Hencorp Commcor, e José Vicente Ferraz, da FNP, o mercado tende a se estabilizar. A avaliação é que os pecuaristas devem reduzir a oferta, deixando o boi no pasto. Ferraz admite, porém, que se a suspensão das vendas continuar por muito tempo, haverá novas quedas de preços.

Ontem, as cotações de boi gordo voltaram a cair na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Todas as posições recuaram. Maio caiu R$ 0,35 para R$ 36,90 a arroba e outubro cedeu R$ 0,46 para R$ 42,70.

Por Alda do Amaral Rocha , com a colaboração de Sérgio Bueno, para Valor Online, 08/02/01

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