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Dois anos após enchentes no RS, estudos apontam onde estão os ambientes mais vulneráveis

Dois anos após as enchentes que transformaram a paisagem do Rio Grande do Sul e expuseram a vulnerabilidade de municípios, propriedades rurais e ecossistemas inteiros, novos estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificam, pela primeira vez, onde estão os territórios mais atingidos do Estado e quais áreas devem ser avaliadas nas estratégias de reconstrução e prevenção de novos impactos.

Um dos levantamentos aponta que as enchentes atingiram 550,4 mil hectares distribuídos em 94 municípios gaúchos. Os resultados revelam que a inundação ocorreu predominantemente em áreas associadas a várzeas, planícies de inundação e ambientes com limitações naturais de drenagem. Segundo a Embrapa, os impactos seguiram a organização natural dos sistemas fluviais e das áreas sujeitas ao acúmulo de água, evidenciando a relação entre os danos observados e a vulnerabilidade ambiental desses territórios.

Além disso, foi consolidada uma base integrada de Áreas de Preservação Permanente (APPs) hídricas teóricas para todo o Rio Grande do Sul. O trabalho reuniu dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do MapBiomas, reduzindo lacunas existentes nas bases individuais e ampliando o conhecimento sobre a rede hidrográfica do estado.

O levantamento identificou aproximadamente 4,46 milhões de hectares de APPs hídricas teóricas no Rio Grande do Sul, áreas consideradas estratégicas para a proteção dos recursos hídricos, conservação ambiental e redução da vulnerabilidade dos ecossistemas.

Segundo o responsável técnico pelos estudos, o pesquisador Adalberto Miura, da Embrapa, o mapeamento fornece base técnica inédita para apoiar ações de conservação, recuperação ambiental, planejamento territorial e gestão dos recursos hídricos em diferentes regiões do Estado. Ele destaca que o diagnóstico produzido vai além do mapeamento dos impactos, contribuindo para a formulação de estratégias de prevenção e resiliência climática.

“Os resultados mostram, de um lado, a importância das APPs para a manutenção dos serviços ambientais e, de outro, evidenciam a vulnerabilidade de determinadas classes de solos aos impactos de eventos climáticos extremos, como as enchentes de 2024. Mais do que um diagnóstico, os estudos apontam caminhos para tornar o território mais resiliente e preparado para enfrentar desafios climáticos futuros”, comenta Miura.

Para Ernestino Guarino, coordenador do projeto Recupera Rural RS e pesquisador da Embrapa, Ernestino Guarino, os estudos reforçam que a reconstrução do Rio Grande do Sul precisa ir além da recuperação imediata das áreas atingidas e considerar a restauração das funções ecológicas da paisagem.

“Não basta recuperar o solo agrícola se não houver proteção das margens dos rios. A conservação e a restauração das APPs são parte essencial da estratégia de adaptação climática e da construção de paisagens mais resilientes, capazes de reduzir vulnerabilidades e enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes”, destaca.

Os levantamentos serão apresentados nesta terça-feira (9/6) e quarta-feira (10/6) durante o evento “Balanço Recupera Rural RS: 2 anos de reconstrução da agropecuária gaúcha”, promovido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Embrapa, em Porto Alegre.

O encontro também promoverá um balanço das ações desenvolvidas por instituições que atuam na reconstrução do território gaúcho desde 2024, com debates sobre recuperação de encostas, restauração da vegetação nativa, recursos hídricos, saúde única, recuperação de solos e produção de sementes e mudas.

Fonte: Globo Rural.

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