

A formalização pela União Europeia da exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro já prejudica companhias de carnes nacionais. Ontem, as ações de MBRF chegaram a cair 4,95%, de Minerva Foods, 3,26%, enquanto os BDRs (recibos de ações) da JBS recuaram 4,78%. As três encerraram o dia com perdas, mas menos acentuadas.
Novas quedas não estão descartadas, na avaliação do estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.
“É bem negativo [o veto da UE]. Já tínhamos a notícia da cota chinesa [para carne bovina], depois vieram as tarifas dos Estados Unidos e agora a Europa com mais essa novidade. Onde o Brasil estava tentando destravar demanda maior, o Oriente Médio, está em guerra, com custos maiores. É como se o mercado externo estivesse fechado um tanto para o Brasil neste ano”, disse Cruz.
O Reino Unido também deve acompanhar a UE e interromper compras de produtos de origem animal do Brasil, segundo ofício do Ministério da Agricultura obtido pelo Valor.
Na última sexta-feira, a UE publicou novo regulamento sobre a aplicação de restrições ao uso de antimicrobianos, excluindo o Brasil da lista autorizada a exportar carnes, pescados, mel e outros itens ao bloco. Foi a confirmação da decisão anunciada em maio, com base em garantias dadas por países do controle de antimicrobianos. A UE proíbe a importação das carnes de animais que receberam antibióticos que atuam como promotor de crescimento ou para aumento do rendimento ou medicamentos usados para infecções em humanos.
A medida pode afetar US$ 2 bilhões em exportações do agro nacional para a União Europeia.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não forneceu garantias de que cumprirá os requisitos até 3 de setembro — o regulamento é de outubro de 2024. Na semana passada, o Ministério da Agricultura apresentou protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, depois de propor um período de transição até 2029, que foi recusado.
A CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, ponderou que apesar de a notícia “não ser boa” para a carne bovina, o volume comprado pela Europa equivale a 3,5% dos embarques. “Em 2025 foram 128 mil toneladas, praticamente um mês de China. Não faz uma pressão intensa.”
Outra fonte avaliou que eventual interrupção das vendas aos europeus implicaria perder prêmios pagos pela carne bovina e possível queda do boi. Mas, para a indústria, o impacto tende a ser nulo, com o direcionamento ao mercado interno do que seria vendido ao bloco, disse.
Na cadeia do frango, já existem diversas etapas de fiscalização, mas o bloco quer um “nível adicional”, disse Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “A UE quer que um veterinário oficial do ministério ou do serviço estadual vá na granja fiscalizar, testar por amostragem.
Fonte: Globo Rural.