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Embrapa aplica nova técnica para fazer o rastreamento do gado

Propriedades rurais de Mato Grosso do Sul já começam a aplicar o projeto de identificação eletrônica de animais desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte. A implantação dos transponders nos bovinos permite que se faça o rastreamento do animal durante toda a sua vida.

O gado recebe o transponder no umbigo ao nascer, ou, se já estiver na idade adulta, o implante é feito no estômago. Dessa forma é possível saber onde nasceu, como foi criado, quais vacinas recebeu e tipo de alimentação, entre outros dados.

O sistema de utilização do brinco, com a numeração na orelha do animal, não deu certo no Estado, segundo o pesquisador da Embrapa, responsável pela pesquisa, Pedro Paulo Pires. O fracasso levou ao estudo da aplicabilidade de diferentes identificadores eletrônicos.

`Os animais que recebem o transponder terão um número imutável e eletrônico que será rastreado por uma antena. As informações são transmitidas para o software em um banco de dados que poderá ser acessado de qualquer parte do País, assim que um órgão passar a gerenciá-lo`, explica o pesquisador. Com o identificador eletrônico as chances de fraude sobre os dados do bovino são mínimas. Cada animal que nasce tem seus dados repassados à Agência de Defesa de Sanidade Animal e Vegetal (Iagro), que realiza o cadastramento.

O transponder é recoberto com resina de mamona para que não se quebre. A implantação nos animais adultos é feita via oral por meio de um aplicador. Neste caso, a cápsula terá oito centímetros de comprimento e 1,5 de diâmetro. Para os bezerros, a aplicação é feita no umbigo, tendo o material menor tamanho: cinco centímetros por 0,5 de diâmetro. A do estômago precisa ser maior e pesada para que se mantenha no fundo do estômago. Cada transponder custa em média R$ 8. O produtor precisará ainda de uma antena (R$ 200), de um bom computador (R$ 2,5 mil), do software, (R$ 200 a R$ 300) e do aplicador (R$ 40), que tem a base importada.

A pesquisa `Avaliação da Aplicabilidade de Diferentes Tipos de Implantes Eletrônicos para a Identificação de Bovinos` foi iniciada há cinco anos. Na Embrapa, mil animais estão sendo monitorados pelo sistema eletrônico. `Hoje o mercado na Europa, que está importando cada vez mais, quer a carne rastreada. A ampliação da utilização do identificador eletrônico no País ocorrerá de acordo com a urgência que se tem para exportar para aquele mercado. Já existe a técnica, tem de haver agora o interesse fiscal e sanitário`, afirma Pires.

(Por Paula Pimenta, para Gazeta Mercantil, 18/04/01)

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