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Embrapa lança pesquisa sobre neosporose

Durante o IV Congresso Brasileiro de Buiatria, que acontece até 18 de maio em Campo Grande (MS), a Embrapa Gado de Corte estará apresentando, entre os seus lançamentos, a publicação da pesquisa “Neosporose: um possível problema reprodutivo para o rebanho bovino”, do médico-veterinário e pesquisador da Embrapa, Renato Andreotti. A neosporose começou a ser estudada há 12 anos e figura entre as principais causas de abortos em gado leiteiro e de corte nos Estados Unidos, Holanda e Nova Zelândia. Segundo o pesquisador, essa doença representa um prejuízo anual à indústria leiteira norte-americana estimado em US$ 35 milhões.

No Brasil, o laboratório do Instituto Biológico de São Paulo era o único, até ontem, a trabalhar com diagnóstico dessa doença. Na noite passada, uma carta de intenção assinada entre a Embrapa Gado de Corte, Fundapam e o laboratório Biogenesis do Brasil, durante a solenidade de abertura oficial do Congresso de Buiatria, garantiu a prestação de serviços do laboratório de sanidade animal da unidade da Embrapa para diagnóstico de doenças animais, incluindo a neosporose.

O pesquisador chama a atenção para o fato de que as informações sobre a ocorrência de neosporose no Brasil ainda sejam incipientes. “Ainda assim, em sistemas com rigoroso controle sanitário do rebanho, que apresentem casos de abortos após dois meses de gestação, sem diagnóstico comprovado, faz-se necessário verificar se a neosporose não está contribuindo para esse prejuízo”, alerta.

A neosporose é causada por um parasito chamado Neospora caninum, que tem esse nome por causa do seu hospedeiro definitivo: o cão. A pesquisa da Embrapa Gado de Corte, em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria de Saúde de Campo Grande, está realizando exames em cães de fazenda, domiciliares e de rua. “Um levantamento preliminar com 40 animais, realizado no ano passado, por meio da verificação de ovos do parasito (oocistos) nas fezes dos cães, apontou uma sorologia positiva em 30% dos casos”, afirma Andreotti.

Não há qualquer indício, na literatura veterinária internacional, de que essa doença possa ser transmitida ao homem. O que ela comprovadamente causa é prejuízo econômico pelo alto índice de abortos no rebanho. As medidas preventivas recaem sobre a proteção dos alimentos e da água do gado contra a contaminação por meio de fezes de cães, e também sobre a remoção dos fetos abortados e restos de placenta encontrados na pastagem.

fonte: Embrapa Gado de Corte, adaptado por Equipe BeefPoint

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