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Exportações de carne bovina: receita está em níveis pré-crise 2008 mas volume ainda não se recupera

Segundo dados publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações nacionais de carne bovina in natura no mês de julho/2012 alcançaram um volume total de 83 mil toneladas, receita de US$ 378 milhões e preço médio de venda de US$ 4.538,00/ton.

Comparando com o mês anterior, estas exportações tiveram crescimento de 12,3% em volume (74 mil toneladas) e 9,0% em receita, quando em jun/12 foi de US$ 347 milhões. Sobre o mesmo mês de 2011, o crescimento foi ainda maior: 32,7% em volume (63 milhões de toneladas) e 19,5% em receita (US$ 316 milhões). Nota-se o crescimento da receita em Reais de 55% entre jul/12 e jul/11, saindo de R$ 494 milhões e chegando a R$ 766 milhões neste ano.

Tabela 01: Exportações brasileiras de carne bovina in natura

No acumulado do ano de janeiro a julho, em 2012 o Brasil exportou 497 mil toneladas de carne bovina in natura, sendo 5,8% a mais em volume do que no mesmo período de 2011 (470 mil toneladas). Em receita, o crescimento foi de 1,5%: US$ 2.343 milhões em 2011 e US$ 2.378 milhões em 2012.

Gráfico 01: exportações brasileiras de carne bovina in natura em volume (mil toneladas) e receita (US$ milhões /ton)

Observa-se crescimento constante na receita desde 2009. No período de janeiro a julho, a receita de 2012 foi 45,3% maior do que a de 2009 (US$ 1.637 milhões), isto devido à crise econômica iniciada no final de 2008. Comparando as exportações do mesmo período em 2008 (US$ 2.301 milhões) e 2012, neste ano o valor recebido é 3,4% maior, indicando que em receita o Brasil chegou novamente aos patamares pré-crise.

Em relação ao volume exportado a situação é diferente. Em 2008 a quantidade vendida (616 mil toneladas) já foi prejudicada, ficando 22,6% menor do que o volume exportado em 2007 (796 mil toneladas). Em 2009 houve outro declínio, de 12,8% sobre o volume de 2008. Agora, comparando este volume entre 2009 e 2012, não houve recuperação como aconteceu com a receita. Em 2009, o volume exportado de 537 mil toneladas deixa o valor de 497 mil de 2012 menor em 7,4%. Pode-se concluir que a taxa cambial influenciou a exportação de carne bovina brasileira, devido à valorização do Dólar frente ao Real: receita crescente e volume (praticamente) constante.

Com isso, o preço médio de venda da tonelada de carne bovina exportada vem crescendo desde a queda após a crise de 2008. De janeiro a julho, em 2009, o preço médio foi de US$ 3.049/ton, 18,5% menor do que o preço médio de 2008 (US$3.737/ton). Neste ano, o preço médio de US$4.786/ton é 57% maior do que o valor médio de 2009 e 28% maior que o preço de 2008, exportando atualmente a valores maiores do que no período pré-crise.

Gráfico 02: preço médio de venda de carne bovina in natura exportada (US$/ton)

Observando a média móvel de 12 meses da cotação do dólar e do Indicador Esalq/BM&F do boi gordo em dólares desde o final de 2008, pode-se verificar a valorização da moeda americana em 2009, uma longa queda até o segundo semestre de 2011 e novo período de valorizacão até os dias de hoje, voltando à casa dos US$1,80, onde estava antes da crise do final de 2008.

Já o boi gordo brasileiro no mercado internacional teve variação contrária, e agora em 2012 está em queda e mostrando tendência de volta aos patamares atingidos antes da crise de 2008.

Gráfico 03: Média móvel 12 meses do Dólar (R$/US$) e do Indicador Esalq/BM&F do boi gordo em dólares

Estas duas variáveis (dólar e @ boi gordo em dólar) estão se aproximando dos valores anteriores a crise de 2008. Analisando no curto-prazo, já houve crescimento do volume de 2011 para 2012 (5,8%). Observando as mesmas variáveis do Gráfico 3 também no curto prazo, identifica-se a queda do Indicador do boi gordo brasileiro em dólares, favorecendo nossas exportações pela maior competitividade no mercado internacional. Em julho, o Indicador em dólares fechou a US$ 44,93/@, e desde maio/2010 não atingia a casa dos US$ 44,00.

Gráfico 04: Dólar (R$/US$) e Indicador Esalq/BM&F do boi gordo em dólares

Artigo escrito por Marcelo Whately, analista de mercado da Equipe BeefPoint.

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