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Formação e manejo de pastagens de puerária

A puerària (Pueraria phaseoloides) é uma leguminosa forrageira perene, herbácea e com hábito de crescimento trepador. Originária da Malásia e Indonésia, encontra-se atualmente espalhada nos trópicos úmidos, sendo considerada uma das leguminosas mais promissoras para a Amazônia. Em Rondônia sua ocorrência é bastante generalizada, sendo comumente encontrada em áreas de capoeiras, margens de estradas e igarapés.

Considerando-se que as pastagens da região amazônica são, basicamente, cultivadas e constituídas por gramíneas, a puer.aria surge como uma opção bastante valiosa para o melhoramento destas, devido a seu alto valor nutritivo, maior resistência à seca e capacidade de incorporar expressivas quantidades de nitrogênio ao solo (100 a 150 kg/ha/ano).

Clima e solo

Seu melhor desempenho ocorre em regiões úmidas com precipitação entre 850 e 2.500 mm anuais. É uma das leguminosas mais tolerantes ao encharcamento, suportando períodos não muito longos de inundação.

A puerária desenvolve-se bem em pH entre 4 e 5, adaptando-se a uma grande variedade de solos. No entanto, o crescimento pode ser incrementado pela elevação do pH através da calagem. Em solos com baixa disponibilidade de fósforo, responde bem à adubação fosfatada. Tolera períodos curtos de estiagem e apresenta boa recuperação após o fogo. É uma leguminosa promíscua, nodulando com bactérias do grupo Cowpea e forma nódulos mesmo em solos úmidos.

Estabelecimento

A puerária possui crescimento inicial lento, devendo ser plantada em solos livres de plantas invasoras. Apresenta bom estabelecimento quando semeada após queima da vegetação em áreas de desmatamento recente.

O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso (outubro/novembro). As sementes podem ser distribuídas a lanço ou em linhas (manual ou mecanicamente), à profundidade de 2,5 cm com espaçamento de 0,6 a 1,0 m entre linhas. A densidade de semeadura será de 3 a 4 kg/ha (lanço) e 2 a 3 kg/ha (linhas). Para a formação de pastagens consorciadas com gramíneas recomenda-se 0,5 a 1,5 kg/ha de sementes da leguminosa. As sementes apresentam dormência mecânica. A escarificação pode ser feita por imersão em água quente (80oC por 3 a 5 minutos); imersão em ácido sulfúrico concentrado por 20 minutos ou em solução de soda caústica a 20% por 30 minutos.

Manejo

A puerária cresce rapidamente e produz bastante forragem, no entanto a produtividade depende do tipo de solo, manejo e condições climáticas. Em Rondônia, os rendimentos de forragem estão em torno de 6 a 8 e 3 a 4 t/ha de matéria seca, respectivamente para os períodos chuvoso e seco.

A puerária é uma leguminosa de abundante crescimento e forma consorciações compatíveis e persistentes com capim-colonião (Panicum maximum), quicuio-da-Amazônia (Brachiaria humidicola), brachiarão (B. brizantha cv. Marandu), capim-andropogon (Andropogon gayanus cv. Planaltina) e capim-elefante (Pennisetum purpureum).

A puerária constitui-se numa excelente fonte de proteína para os rebanhos, principalmente durante o período de estiagem, já que seus teores de proteína bruta variam entre 15 e 18%, enquanto que uma gramínea, na sua fase ótima de utilização, apresenta de 8 a 10%. Os ganhos de peso podem variar de 300 a 500 g/an/dia e de 400 a 700 kg/ha/ano. Tolera moderadamente a defoliação e recupera-se bem quando submetida a pastejo controlado, não devendo ser rebaixada a menos de 25 cm acima do solo.

Com relação às formas de utilização, a puerária pode ser utilizada sob a forma de feno, silagem, pastejo direto, pura ou consorciada com gramíneas, para a formação de bancos-de-proteína (piquete exclusivo apenas com a leguminosa) ou através de cortes para fornecimento em cochos.

Quando utilizada em bancos de proteína, o período de pastejo deve ser de uma a duas horas/dia, preferencialmente após a ordenha matinal, no caso de gado de leite. Gradualmente, à medida que os animais vão se adaptando ao alto teor de proteína da leguminosa, o período de pastejo pode ser de duas a três horas/dia, notadamente durante a época seca em que a alimentação dos animais torna-se mais crítica. O acesso dos animais ao banco de proteína por períodos maiores que os recomendados não é aconselhado, pois pode ocorrer problemas de timpanismo ou “empazinamento”, face o alto conteúdo proteico da puerária. A área do banco de proteína vai depender da categoria e do número de animais a serem suplementados, das exigências dos animais e da disponibilidade de forragem. Em geral, um hectare de pueraria pode alimentar, satisfatoriamente, 15 a 20 vacas paridas durante o período chuvoso e de 10 a 15 vacas durante a época seca.

Fonte: Newton de Lucena Costa, pesquisador da Embrapa Amapá

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