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Itamaraty avisa que não aceita embargo à carne

Segundo reportagem de Aldo Renato Soares e Cynthia Malta, publicada hoje na Gazeta Mercantil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, reagiu ontem à decisão do Canadá de suspender temporariamente a importação de produtos de origem animal do Brasil – alegando ser preciso comprovar imunidade do rebanho brasileiro à doença da vaca louca. Em nota oficial, a medida é considerada “intempestiva” e Lafer pede ao governo Canadá que reverta a situação no mais breve prazo, caso contrário o “governo brasileiro se reserva o direito de tomar as medidas que julgue convenientes.” Em Washington, após reunião com a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, confirmou a decisão de o Brasil tomar “todas as medidas que estiverem a seu alcance”.

Na nota, Lafer reafirma que o Itamaraty continua examinando os aspectos diplomáticos e comerciais, com o Ministério da Agricultura. Um dos próximos passos será denunciar o Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC) por não ter seguido os procedimentos normais, ao ter deixado de notificar previamente sua decisão de sustar as compras no Brasil.

A Agência de Inspeção Alimentar do Canadá (Aiac) informou que levará algumas semanas para avaliar as respostas enviadas pelo Ministério da Agricultura de sexta-feira até ontem – parte em português e parte em inglês – sobre ações do Brasil com relação à doença. No fim-de-semana, a entidade recebeu 1.500 telefonemas de consumidores, preocupados com a carne enlatada brasileira, informou o vice-diretor de Saúde Animal da Aiac, Claude Lavigne, por telefone de Ottawa. Àqueles que ligavam era dito que jogassem no lixo o produto ou que não abrisse, enquanto não fosse divulgada uma decisão oficial, ou então, levar à loja, que devolveria o dinheiro ao cliente.

Sobre o termo “intempestivo”, colocado na nota do Itamaraty, Lavigne, que é médico veterinário, observou que “uma decisão dessas sempre parecerá fora de hora, pois não é uma positiva.” Mas afirmou que a agência aguarda resposta do Brasil há dois anos. Segundo ele, o governo brasileiro se limitou a enviar em 1999 cópia de documento remetido à Organização Internacional de Epizootias (OIE), que não respondia as perguntas canadenses. O diretor-executivo da Aiac Paul Haddod, acrescentou estar “pagando um bom dinheiro” para traduzir as respostas, cuja primeira parte, em português, cita vários anexos, enviadas depois. Ontem, chegaram mais papéis do Brasil, desta vez em inglês, que serão traduzidos e comparados à versão em inglês, pois, segundo Lavigne, não está claro se o texto em inglês traduz o em português. Só “em poucas semanas” a avaliação técnica ficará pronta e, então, anunciada a decisão final sobre suspensão ou manutenção do embargo à carne brasileira.

Lavigne confirmou a informação da OIE e Organização Mundial da Saúde (OMS) referente à ocorrência da doença da “vaca louca” no Canadá e disse que 400 animais importados da Inglaterra em 1987 foram mortos em 1993. A OIE e a OMS não indicam a existência de nenhuma vaca doente no Brasil, mas Lavigne disse que mesmo se houvesse “não consideraríamos o País infectado só por isso.” Sobre a observação do Itamaraty de que o Canadá deveria ter informado previamente a OMC sobre a suspensão, afirmou que a entidade conhece a política canadense em relação à doença da “vaca-louca” e dos questionários enviados a fornecedores desde 1998.

Por Aldo Renato Soares e Cynthia Malta, para Gazeta Mercantil, 06/02/01

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