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Na Inglaterra, carne com DNA na etiqueta

Pânico de consumidores, oportunidade de negócios. A Marks & Spencer, tradicional cadeia de lojas do Reino Unido, está lançando um programa que permitirá chegar a origem de cada pedaço de carne, frutas ou verduras que vender, segundo reportagem de Maria Luiza Abbott, publicada hoje no Valor Online. Para isso, a empresa fechou um acordo com a Whatman, uma firma de engenharia britânica, que desenvolveu um novo método de armazenar o DNA.

Com essa nova tecnologia, basta esfregar um tipo especial de papel no pedaço de carne ou vegetal que o DNA ficará registrado. A empresa poderá, então, criar um arquivo com o DNA de animais ou vegetais de todos os seus fornecedores. Se um consumidor reclamar, é só esfregar outro papel no produto e confrontar com o arquivo. A empresa poderá identificar exatamente a origem.

Segundo um dos responsáveis pelo projeto, será possível verificar até as declarações de um fornecedor, conferindo, por exemplo, se a carne é de um novilho precoce Aberdeen Angus ou uma vaca. A empresa poderá usar o mesmo projeto para recompensar os bons produtores, comprando mais daqueles em que os testes de DNA comprovarem a melhor qualidade.

A Marks & Spencer é uma cadeia de loja de departamentos com uma seção de alimentos de qualidade diferenciada e preços superiores aos de um supermercado. Com esse acordo, a empresa está, na verdade, tentando reforçar sua posição nesse nicho de mercado. O medo do consumidor europeu cresce dia-a-dia. Aumentam as vendas de alimentos orgânicos e caem as de carne. E não é só por causa da doença da vaca louca. Existe o medo de toxinas no frango, salmonela em ovos, das rações fornecidas aos salmões de fazendas e outros.

O diretor de Tecnologia Alimentar da Mars & Spencer, David Gregory, explicou que a segurança dos alimentos é uma preocupação básica da empresa e, por isso, um dos princípios de seu departamento sempre foi de garantir algum tipo de rastreamento dos produtos. ” O potencial dessa nova tecnologia simples de DNA significa que se pode elevar a integridade de nossos produtos a níveis que só eram sonhados até agora. E isso em larga escala e a custo relativamente baixo ” , disse Gregory. (MLA)

(Por Maria Luiza Abbott, para Valor Online, 15/03/01)

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