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Oriente Médio supera UE em carne

Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para janeiro confirmaram a tendência de aumento significativo nos volumes de carne bovina “in natura” embarcados para o Oriente Médio, que ultrapassou a União Européia (UE) como principal destino do produto brasileiro, segundo reportagem de José Alberto Gonçalves e Marcelo Flach, publicada hoje na Gazeta Mercantil.

O Oriente Médio comprou 6.614 toneladas de carne “in natura” em janeiro, 37% de todo o volume exportado pelo Brasil (17.581 toneladas), enquanto a UE respondeu por 34% das vendas brasileiras. Em igual mês de 2000, a relação foi inversa, com o bloco europeu importando 49% e os árabes, 18% das 9.782 toneladas embarcadas.

Foram tão intensos os negócios com países muçulmanos nos últimos dois meses de 2000 que o Irã tornou-se o maior importador de carne “in natura” do Brasil, ao comprar em janeiro US$ 7 milhões, mais de três vezes sobre mesmo mês de 2000.

O Frigorífico Bertin, maior exportador brasileiro, com sede em Lins (SP) e embarques de US$ 190 milhões em 2000, reservou em novembro sua mais nova unidade de abates, em Mozarlândia (GO), apenas para atender ao mercado do Irã.

O abatedouro foi adaptada para operar conforme as regras do ritual islâmico, que exigem uma série de cuidados na forma de degola do animal, diz o gerente de exportação do Bertin, Marco Bichieri.

Ao contrário dos contratos fechados com a UE, os negócios com os árabes são mais volumosos, mas concentrados em poucas empresas importadoras. Além disso, o Oriente Médio prefere cortes do dianteiro, mais baratos, como acém e paleta, ou carnes menos nobres do traseiro (patinho, coxão mole e lagarto).

Cortes do dianteiro são cotados a menos de US$ 2.000, baixando a US$ 1.500 a tonelada, dependendo da carne. Já o mercado europeu paga perto de US$ 6.200 pelo filé mignon, corte mais nobre do traseiro. O preço atual desse corte é quase 25% inferior à cotação praticada antes do início da onda de pânico em torno da vaca louca, iniciada em outubro.

Nas exportações do Frigorífico Mercosul, de Bagé (RS), a fatia da UE caiu de 70%, na média de outubro a dezembro (450 toneladas mensais), para 14% no início de 2001 (115 toneladas ao mês). Ao mesmo tempo, o Oriente Médio respondeu por 18% dos embarques em janeiro de 2001, mais que os 11% de dezembro. O Chile foi o principal substituto das compras européias.

O supervisor de comércio exterior do Mercosul, Gerson Henrique Dutra, diz que a tendência para os próximos meses é de a Europa retomar as compras, mas em volumes menores que os do final de 2000. Inaugurado há dois anos, o frigorífico faturou R$ 240 milhões em 2000, com 25% nas exportações.

Segundo Rodrigo Sato, gerente de exportação do frigorífico Araputanga, do Mato Grosso, nas últimas duas semanas os negócios com os árabes diminuíram. “Eles devem estar abarrotados com a carne importada em janeiro e fevereiro”, diz.

O frigorífico Araputanga, que exportou US$ 28 milhões no ano passado, vendeu ao Oriente Médio 150 a 200 toneladas mensais de carne bovina “in natura” em janeiro e fevereiro passados. No ano passado, as vendas à região asiática somaram no máximo 75 a 90 toneladas nos meses com maiores vendas.

O aumento nos volumes embarcados para o mercado árabe deverá acirrar a disputa dos frigoríficos por matéria-prima junto aos pecuaristas, diz Vicente Ferraz, diretor da FNP Consultoria & Comércio.

Contudo, o diretor da FNP diz que a ociosidade de 30% a 40% no sistema de abates de bovinos no Brasil dá folga para os frigoríficos elevarem em pouco tempo de 200 mil a 300 mil toneladas as exportações de carne, atualmente em 600 mil toneladas anuais.

(Por José Alberto Gonçalves e Marcelo Flach, para Gazeta Mercantil, 09/03/01)

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