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Suplementação protéica e energética de animais em pastejo, manejo e custo benefício. Parte IV: Suplementação energética

Quando o suplemento protéico tem fonte de proteína vegetal e fonte de carboidratos, também está sendo fornecida suplementação energética, mas em escala muito baixa, tanto pelo baixo teor de energia do suplemento como pelo baixo nível de ingestão do mesmo.

A suplentação energética a que estamos nos referindo é a suplementação para elevar o valor alimentar da dieta acima do valor alimentar potencial conseguido somente com a suplementação de todos os nutrientes deficientes para o nível de energia da forragem consumida. Essa suplementação pode ter três finalidades diferentes: a primeira quando o resultado da suplementação não vai ser explorado imediatamente após o término da mesma; a segunda quando o resultado vai ser explorado no final do período de suplementação; e, terceira, quando o principal objetivo é aumentar a capacidade de suporte da pastagem.

No primeiro caso, o nivel de suplementação energética não deve propiciar ganhos de peso acima do potencial das pastagens que vão ser utilizadas após o término do período de suplementação. Essa situação aplica-se para animais em crescimento em geral, tanto nas águas (animais que vão entrar em confinamento na seca seguinte), como na seca (animais que vão ser mantidos em pastagens durante o período de águas subseqüente). O nível de suplementação vai estar em torno de 0,5% durante a seca, podendo chegar a até 1% do peso vivo no período das águas. Essa estratégia é recomendada, quando econômica, em situações nas quais as metas de peso nos finais dos períodos da seca ou das águas não puderem ser atingidas explorando somente o potencial de valor alimentar das pastagens mesmo após possíveis correções das deficiências de vitaminas, minerais e de proteína degradável no rúmen.

No segundo caso, a suplementação energética tem que propiciar a obtenção de desempenho animal, peso e condição corporal, para que o resultado da suplementação seja explorado no seu término. Essa situação aplica-se nos casos de animais para abate e de fêmeas em crescimento para ou em reprodução (novilhas, primíparas). Deve ser recomendada, se econômica, quando não for possível atingir as metas de peso e de condição corporal em determinadas idades usando a estratégia descrita no parágrafo anterior. Nesse caso, o aumento do desempenho individual é o objetivo maior, sendo o aumento da capacidade de suporte (produtividade por unidade de área) uma consequência, mas de importância na análise econômica.

No terceiro caso, o objetivo seria o de ajustar a carga animal, ou melhor, a pressão de pastejo, aumentando a capacidade de suporte das pastagens em períodos críticos durante a estação de crescimento de forragens ou mesmo durante a seca. Nesse caso, o aumento da produtividade por unidade de área é o objetivo principal, sendo o aumento do desempenho individual a consequência, mas também de importância econômica.

1. Fontes de energia

As principais fontes de energia para suplementos energéticos são os grãos de cereais e os resíduos agro-industriais (farelos de trigo e de arroz, raspa de mandioca, polpa de citros, casca de soja, etc). Como existe necessidade de balancear os suplementos energéticos para PDR e PNDR, o caroço de algodão, a soja, e a quirera de soja podem e devem ser usadas na formulação de suplementos energéticos quando competitivos economicamente com as outras fontes de proteína (farelo de soja, farelo de algodão, etc).

2. Efeitos da suplementação de animais em pastejo e considerações sobre retorno econômico

Toda a discussão apresentada até agora foi baseada em conhecimentos sobre nutrição de ruminantes disponível na literatura, que foi sendo adquirido através de experimentação em várias partes do mundo. O importante, do ponto de vista prático, é adequar o conhecimento disponível através de experimentação local para avaliar a economicidade da suplementação. Muitas vezes, as Instituições de Pesquisa locais caminham atrás da iniciativa privada em testar novos conhecimentos em condições práticas de produção. Esse fato ocorre em várias partes do mundo e não foi exceção no Brasil, principalmente em relação à suplementação com sal protéico para diferentes categorias animais.

A seguir serão feitas algumas recomendações de suplementação e considerações sobre retorno econômico com base em dados experimentais quando disponíveis ou em dados obtidos diretamente em condições de produção.

2.1 – Suplementação energética durante a seca

2.1.1 – Acabamento de animais

Essa estratégia tem sido usada com sucesso no acabamento de animais para abate até meados do período considerado de entre-safra quando existe forragem disponível. Os melhores resultados são obtidos quando se trabalha com animais com baixa condição corporal, peso inicial de 380 a 420 kg e o período de suplementação não vai além de 70 a 80 dias. Suplementação com concentrado energético (1 a 1,2 % do peso vivo) balanceado para PB e PDR no rúmen em função da forragem ingeriada têm propiciado ganhos de 0,8 a 0,9 kg/dia e resposta de 0,15 a 0,18 g de ganho por grama de concentrado fornecido (descontado o ganho de peso conseguido sem o fornecimento de concentrado). No cálculo econômico deve ser levado em consideração o aumento da lotação devido ao efeito de substituição. Aumentando a ingestão de concentrado energético diminui a ingestão de forragem da pastagem, que no caso de forragens de baixa qualidade pode ser estimada em torno de 0,3 kg de MS da pastagem para cada 1 kg de MS de concentrado (essa taxa de substituição pode variar em função da fonte energética usada).

2.1.2. – Crescimento e reprodução de fêmeas precoces

A suplementação de fêmeas precoces em crescimento com concentrado energético durante a seca para cobertura aos 14/15 meses e paricão aos 24 meses é uma alternativa de grande viabilidade econômica quando bem manejada. Normalmente, essas fêmeas devem ter entre 280 a 340 kg (depende do tamanho da raça) aos 13/14 meses para ciclarem normalmente, e essa deve ser a meta de peso a ser atingida no início da EM, que deveria começar e terminar 15 a 30 dias antes da EM das outras fêmeas. A quantidade de concentrado energético para atingir esse objetivo vai variar de 150 a 300 kg (0,5 a 0,8% do PV – 150 a 180 dias, 1 a 2 kg/dia).

2.1.3. – Animais em crescimento e acabamento

Em sistemas de produção bem planejados e bem monitorados, poderá ser viável suplementar animais machos em crescimento com concentrado energético (0,5 a 0,8 % do PV) para antecipar o abate para épocas mais propícias. Essa alternativa tem grande possibilidade de sucesso quando feita com animais com peso acima de 300 kg e com idade superior a 16 meses no final do período das águas. Ela pode ser usada na segunda seca de vida do animal para antecipar o abate em 2 a 4 meses em relação ao final do período das águas (abate aos 25 a 28 meses no período de janeiro a abril). Nessa situação, a taxa de compensação de ganho de peso é menor, e normalmente se consegue um preço por arroba maior do que o preço de safra. A expectativa de resposta é da ordem de 0,12 a 0,15 g de ganho por grama de concentrado.

2.1.4. – Animais em crescimento

A suplementação na seca com pequenas quantidades de energia em adição à suplementação protéica para animais em crescimento (0,3 a 0,5 g por kg de PV) apresenta resposta da ordem de 0,2 a 0,3 g de ganho por grama de concentrado. Como mencionado anteriormente, é importante que o ganho de peso propiciado por essa suplementação seja no máximo igual ao potencial de ganho de peso da pastagem a ser usada na estação das águas subseqüente.

2.1.5. – Bezerros e bezerras mamando

O uso de concentrado balanceado (creep feeding) é recomendado no caso de bezerros mamando durante a seca para se obter o peso à desmama semelhante ao peso de bezerros da estação normal de nascimento sem suplementação, isto é, de bezerros nascidos de setembro a novembro e desmamados de abril a junho. Ganhos adicionais da ordem de 0,2 g por g de concentrado são obtidos nessas condições.

3. – Suplementação energética durante o período das águas

A suplementação energética durante o período de águas não tem sido usada, embora ela teria potencial de uso na primavera e no outono com o objetivo principal de ajudar a ajustar a capacidade de suporte das pastagens dessas estações com a de verão. Essa alternativa tem maior probabilidade de sucesso econômico se os períodos de suplementação coincidirem com as fases de acabamento dos animais suplementados. A resposta à suplementação energética durante as àguas é menor do que durante o período seco principalmente porque a taxa de substituição da forragem pelo concentrado é maior (de 0,6 a 0,7 kg de MS de forragem por kg de MS do concentrado). Valores da ordem de 0,1 a 0,15 g de ganho adicional por grama de concentrado são normais nessas condições dependendo do nível de suplementação, do peso do animal e da qualidade da forragem consumida. A suplementação energética durante o período das águas tem que estar integrada a sistemas de produção planejados e gerenciados para explorar alternativas que permitem o abate de animais durante todo o ano.

0 Comments

  1. Tiago Jóse de França Ramos disse:

    Bom dia Sr. Celso Boin. O que gostaria de saber é se devo suplementar no período da seca com um proteinado ou um proteico-energético?

    Tenho um lote de animais todos castrados, nelore com idade entre 2,5/3 anos, e estes estão com peso médio de 420 Kg pretendo abater esses animais com 490 Kg no final de outubro. Qual suplemento devo usar nessas condições? Um proteico de 50% PB e 45% NDT + 200mg de monensina sódica consumindo 0,450g/cab/dia a um custo de R$ 0,48/cab/dia ou um proteico-energético de 25% PB e 60% NDT + 80mg de monensina sódica consumindo 1,5kg/cab/dia a um custo de R$ 1,34/cab/dia.

    A minha pastagem é de Brizantha, e tem boa disponibilidade de capim.

    Obrigado.

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