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Uso de inoculantes bacterianos para produção de silagens

Silagem é o produto final de uma fermentação anaeróbia, onde bactérias lácticas consomem principalmente açúcares disponíveis na forragem ensilada, e produzindo ácidos orgânicos (ácidos láctico, acético e butírico) que abaixam o pH e mantém a forragem conservada por um determinado período de tempo. Esse período de conservação depende da manutenção da condição anaeróbia (sem a presença de oxigênio), ou seja, a de não permitir entrada de ar e água dentro do silo através de uma adequada vedação.

Atualmente temos visto um grande interesse no uso de inoculantes microbiológicos, que basicamente são constituídos por bactérias lácticas homofermentativas (Lactobacillus plantarum, Streptococcus faecium e Pediococcus acidilactici), e visam o aumento da população inicial disponível na forragem para aceleração do processo de produção de ácidos orgânicos, e consequente queda do pH do produto final, a silagem.

A literatura é vasta em resultados positivos, nulos e até negativos, contudo poderíamos afirmar, baseados nestas mesmas referências, que há realmente um ganho de qualidade fermentativa e de desempenho animal com o uso destes produtos em boa parte das situações.

Na prática porém, isso não tem se efetivado. E quais seriam as causas para que, baseado em informações e dados que mostram que em muitas situações há apenas aumento de custos, muitos técnicos ainda recomendam uso desses aditivos ?

Dados recentemente publicados por PEDROSO e colaboradores, utilizando-se de inoculante bacteriano comercial aplicado em silagem de sorgo de duplo propósito (AG-2005-E), não mostraram efeito consistente sobre a qualidade e parâmetros de fermentação da silagem, bem como, sobre a perda de matéria seca durante o p;rocesso de ensilagem(Tabela 1).

TABELA 1 – Parâmetros de fermentação e perda de matéria seca de silagem de sorgo.

Figura 1

Apesar de significativo para alguns parâmetros, os resultados do Quadro 1 não permitem recomendar o uso de aditivos biológicos à base de bactérias láticas para produção de silagem de sorgo. Como citam os autores em sua revisão bibliográfica, os resultados têm sido variáveis quanto à eficácia dos inoculantes bacterianos sobre a qualidade e preservação das silagens talvez pela diversidade dos locais onde esses produtos tem sido aplicados, não só com relação ao tipo de forragem utilizada, mas também por variações de solo, temperatura, umidade e diversidade e nível da população bacteriana primária disponível na forragem ensilada.

COMENTÁRIO: é necessário, em primeiro lugar, que se tenha em mente que a produção de silagens envolve um sistema bastante complexo, desde a correta recuperação de fertilidade dos solos, da distribuição das sementes, do manejo sanitário da cultura, da identificação do estádio de maturação para colheita, da ensilagem propriamente dita, que envolve corte, transporte, descarga, compactação e vedação, bem como também da desensilagem, balanceamento das rações e da distribuição deste alimento para que os animais o consumam e produzam. Fatores como a disponibilidade de açúcares na forragem, a sua umidade ou concentração de matéria seca e o seu poder tampão, associados com a eficiência do sistema como um todo afetam diretamente a qualidade do produto final. Além disso, é preciso ter consciência de que os custos de uma silagem estão diretamente relacionados com a produtividade agrícola, ou seja, vale aquela máxima que diz que: “só é um bom pecuarista aquele que em primeiro lugar é um bom agricultor”. Portanto, o pecuarista não deve se iludir com o uso indiscriminado destes aditivos, pois o retorno percentual é pequeno e os seus custos de utilização ainda elevados, o que torna a relação custo / benefício ainda desfavorável. Consequentemente, esses produtos não devem ser utilizados como paliativos ou solução para sistemas ineficientes. Acreditamos que novas pesquisas na área ainda são necessárias para determinar para quais forageras e em quais condições esses produtos poderão contribuir para tornar os sistemas de produção de silagens mais eficientes e econômicos.

Referência:

PEDROSO; FREITAS e SOUZA, Rev.Bras.Zootecnia, 29::48. 2.000.

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