Controle de estoque
16 de junho de 2000
Índices de produtividade da pecuária de corte no Brasil. Parte 1/3
30 de junho de 2000

Mercado físico e o couro bovino

Sendo um dos principais subprodutos do abate de bovinos, o couro animal é sem sombra de dúvidas um dos grandes geradores de receita para o frigorífico. Uma característica intrínseca do mercado brasileiro é que o pecuarista não recebe nada pelo couro do animal comercializado, cabendo ao frigorífico os custos de industrialização sem haver custo de aquisição da matéria prima.

Um dos motivos pelos quais os compradores depreciam o couro nacional é a baixa qualidade do produto, uma vez que enquanto 85% do couro dos Estados Unidos atende aos padrões internacionais de qualidade, no Brasil esse número não supera os 10%.

Sabe-se que em média, um boi gordo de 16,5@ fornece cerca de 40kg de couro cru, que vendido à cotação atual de R$1,60/kg em São Paulo, gera uma receita de R$64,00/animal.

O setor de curtumes

O setor de curtumes está inserido na cadeia produtiva de bovinos. É nos curtumes que ocorre o processamento da pele do animal (couro) onde o produto curtido é utilizado na confecção de vestimentas, sapatos, tapetes, etc.

Os curtumes estão divididos em três grandes grupos, a saber:

– Curtume integrado: realiza todas as operações de industrialização, desde o couro cru até o acabado. Nesse curtume os principais fornecedores de couro são os frigoríficos e os matadouros.

– Curtume wet blue: realiza o curtimento do couro cru até o estágio wet blue (couro curtido no cromo). As fontes de matéria prima também são os frigoríficos e matadouros.

– Curtume acabador: realiza o acabamento do couro wet blue e/ou crust até o
acabado. A fonte da matéria prima são os curtumes wet blue.

O processo de industrialização

Após a chegada do animal ao frigorífico, este é abatido e o seu couro levado ao salgador.

O salgador é o local onde ocorre a salga do couro para aumentar o período de conservação. A salga é necessária quando se vai transportar o couro por longas distâncias.

Em geral, quando o frigorífico realiza a salga, ele cobra um ágio de 25% sobre o preço final, vendendo um couro com um teor de água 20% menor. O tempo médio da salga é de 5 dias.

Chegando ao curtume o couro salgado é reidratado, passando pelas fases de classificação, recorte, pesagem, marcação e pré-descarne (retirada da gordura e da carne aderida ao couro).

Findo esse processo, o couro vai para os fulões, onde é realizado o remolho e o caleiro, para eliminação de cabelos ( através da adição de cal e sulfeto de sódio) e preparação do couro para o curtimento.

O processo de curtimento

O curtimento é assim chamado pois é a fase onde o couro será curtido, ou seja, receberá produtos químicos que agirão sobre o couro tornando-o resistente e imputrescível.

Pode ser feito de duas maneiras: com taninos vegetais ou minerais.

O curtimento vegetal, realizado com tanino de acácia (mimosa) é pouco utilizado, todavia tem como principal vantagem o apelo ecológico, já que o tanino é extraído de uma árvore, que é um recurso renovável, ao contrário do cromo, utilizado no curtimento mineral.

O curtimento mineral é o mais utilizado pois deixa a pele mais resistente, resultando numa maior qualidade do produto final (couro wet blue).

O curtimento com cromo deve seguir as seguintes fases:

– Desencalagem (retira a cal da pele, com o uso de metabissulfito e/ou sulfato de amônio)
– Piquelagem (prepara a pele para a adição do couro, através da adição de ácido sulfúrico e sal.)
– Curtimento (introdução do couro)
– Basificação (fixação do couro, com o uso de bicarbonato de sódio)
– Neutralização (com o uso de formiato de sódio)

O couro wet blue ainda precisa ser aprimorado para atender às exigências do mercado.

Ocorre então o rebaixamento do couro, para deixar o couro na espessura desejada pelo comprador, e é realizado com o auxílio de máquinas. Após a aferição da espessura final, o couro vai para o recurtimento.

O recurtimento

No recurtimento ocorre o “ajuste fino” na espessura do couro, onde através da utilização de taninos o couro é rebaixado até atingir com precisão a espessura desejada.

Os produtos comumente utilizados são graxas, resinas, corantes e taninos sintéticos.

Após o recurtimento o couro é secado, para retirar o excesso de umidade.

Depois ele é recondicionado, para ser feito o amaciamento, grampeamento (para retirar a elasticidade) e complementação da secagem.

Nessa fase o couro recebe o nome de semi-acabado. Esse couro passa então pela fase de classificação e recortes intermediários e, verificação se realmente o produto atende aos padrões, o que aliás é uma característica dessa cadeia, a de verificar sempre a qualidade do produto final.

Fase de acabamento

É a fase onde ocorre o retoque final do couro, para embelezar o produto.

Nessa fase pode ocorrer a aplicação de corantes, camadas de tintas, estampas, etc.

O acabamento pode ser feito com produtos a base de água ou a base de solvente, tendo como objetivo proteger as camadas aplicadas anteriormente.
Finalmente terminado todo o processo, tem-se o couro acabado.

Preços

Atualmente, com as escalas de abate reduzidas, está difícil encontrar couro no mercado. Como a demanda no atacado de carne está baixa, se os frigoríficos comprarem muito e aumentarem a disponibilidade de mercadoria o preço da carne deve recuar mais ainda. Se por um lado os frigoríficos tem que administrar o fluxo de carne, por outro não: o preço vigente para o couro cru é de R$1,60/kg para 30 dias de prazo em São Paulo. Isso representa um aumento de 88%, comparando o mesmo período do ano passado (ver gráfico).

Os aumentos verificados nos últimos meses podem ser creditados aos seguintes fatores: diminuição dos abates, levando a escassez de couro no mercado e, aumento da demanda interna do país, em especial da indústria de botas e casacos de couro.

Os preços de couro wet blue e acabado são de difícil apuração, uma vez que as cotações podem variar de acordo com a matéria prima e de acordo com a fábrica de calçados ou artefatos que adquirirá o produto.

Outro fenômeno que não permite a obtenção clara de preços é a falta de padronização do mercado brasileiro quanto à qualidade do produto.

Divididos em seis patamares de classificação, de acordo com a espessura, o couro classe V de um curtume pode ser melhor que o de classe IV de outro.

No dizer dos profissionais da área o mercado de couro poderia ser resumido assim : – “Quando sobra couro, todo couro é refugo e quando falta couro, todo refugo é couro”.

Figura

Os comentários estão encerrados.

plugins premium WordPress