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Vacinar ou não vacinar

Geide Figueiredo Jr. 1

Agora a febre aftosa assombra as regiões fronteiriças do Rio Grande do Sul, mais especificamente, com a Argentina.

* Distante dos focos da doença em território argentino, de míseros 10 a 12 quilômetros, a preocupação é grande por parte de todos. Principalmente de quem paga a conta.

* Lembrando que as restrições feitas são apenas para as regiões do nosso vizinho, que possuem casos da doença e num raio de 25 quilômetros.

* Produtos agrícolas, como grãos, frutas e hortaliças, estão proibidos de entrar no Brasil.

O trigo

* O trigo, um dos principais produtos importados da Argentina, foi também proibido. Mas somente daquelas regiões contaminadas pela aftosa. Para se ter uma idéia, em 2000, nosso país importou da Argentina 7,2 milhões de toneladas de trigo ou US$826,6 milhões de dólares, representando aproximadamente 80% do consumo nacional dessa commodity.

* Uma das consequências: o pãozinho, aquele que comemos todos os dias, ou quase todos, já está custando de R$0,12 até R$0,17 em algumas cidades.

* No entanto, não dá para monitorar o trigo para saber se ele vem ou não de áreas contaminadas, existindo cerca de 1,2 milhões de toneladas negociadas que ainda não entrou no Brasil.

* A proibição de produtos de origem vegetal, não foi bem aceita pela iniciativa privada argentina, e isso acabou sendo interpretado como “retaliação” às medidas tarifárias (Tarifa Externa Comum -TEC) tomadas por Domingo Cavallo, ministro da economia da Argentina.

* Vamos ver se essa situação não vai comprometer as negociações dos dois países no Mercosul.

Voltando ao assunto:

* Estávamos falando de vacinação.

* O governo do Rio Grande do Sul, pretende pedir permissão a OIE (Organização Internacional de Epizootias) para iniciar a vacinação preventiva do rebanho contra a aftosa.

* Segundo um representante, as regras da OIE permitem que seja feita uma vacinação preventiva com o intuito de manter o status de área livre de aftosa com vacinação. A condição de área livre de vacinação só será recuperada em maio de 2002.

* Pecuaristas mostram-se a favor, pois mesmo com a fiscalização, a garantia de que o problema não vai “pular a cerca” não é de 100%.

* O Ministério da Agricultura é contra, pois a volta da vacinação daria a entender para o mercado internacional a presença de focos na região. Com esta atitude, estaríamos “dando um tiro no próprio pé”.

Abates, focos e volta a vacinação

* O Reino Unido foi liberado pela UE (União Européia) para vacinar animais contra a aftosa, nos condados de Cumbria e Devon, onde 180 mil cabeças de gado leiteiro já podem ser imunizadas. O número de focos, no dia 29/03, somavam 742 cabeças. Aproximadamente 500 mil animais já foram sacrificados e 295 mil aguardam na fila. Os militares também entram na “dança”. Além do apoio logístico, eles estão ajudando a enterrar os animais sacrificados.

* A exemplo da Holanda, que possui 10 casos, a partir de 18 de março foi permitida a vacinação.

* Na tão próxima Argentina, os focos passam de 92 casos. Estima-se que as exportações podem ser prejudicadas em US$2 bilhões.

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1 Engenheiro Agrônomo da Equipe de consultores da Scot Consultoria

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