28 de agosto de 2008

O BigMac e as exportações

A revista inglesa The Economist usa há alguns anos um curioso e divertido índice para medir a paridade do poder de compra do dólar em diversos países, o "índice BigMac". Esse índice é uma maneira muito prática e interessante de acompanharmos o aumento do interesse dos frigoríficos pelo mercado interno brasileiro. Para a cadeia da carne, o índice do BigMac é ainda mais útil, uma vez que seu principal ingrediente é a carne bovina (em custo relativo). Esse ano, o índice mostra que o BigMac está mais caro no Brasil do que na maioria dos países.
23 de julho de 2008

Exportação de gado em pé: causa ou sintoma?

A exportação de gado em pé é uma importante discussão do setor atualmente. O volume de animais exportados cresce ano a ano, chegando a 431,8 mil animais em 2007, e já contando com 181,3 mil animais no acumulado de janeiro a junho desse ano. Frigoríficos, em especial os de mercado interno e dos dois estados que mais exportam, reclamam. O setor coureiro, nessa semana, engrossou o coro. A exportação de gado em pé, mais do que uma causa para a baixa rentabilidade dos frigoríficos, é um sintoma de que muito precisa ser aperfeiçoado na cadeia da carne, para garantir maior rentabilidade. Artigo de Miguel Cavalcanti, sócio-diretor do BeefPoint.
26 de junho de 2008

Abiec sob nova direção

A Abiec, presidida desde abril de 2003 pelo ex-ministro Pratini de Moraes, é chefiada agora pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, que assumiu o cargo agora no início do mês de junho. Roberto é diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP. O ex-presidente da Abiec tem perfil mais político, o atual, perfil mais técnico, com larga experiência no mercado internacional. As oportunidades e os desafios do novo presidente da Abiec são grandes. No entanto as margens dos frigoríficos exportadores devem continuar apertadas. Retomar as exportações (com volume considerável) a UE e abrir os mercados dos EUA e Japão são caminhos muito importantes para as empresas associadas a Abiec.
20 de maio de 2008

O boi barato acabou

Os frigoríficos estão trabalhando para seguir lucrando em um novo cenário, onde o "boi barato é coisa do passado". Para isso, atuam em outras cadeias, ampliam seu foco, comprando empresas que antes eram seus clientes. Os produtores também precisarão se adaptar a essa nova realidade, buscando mais eficiência e produtividade, e melhorando a comercialização de seus produtos.
24 de abril de 2008

No mercado atual, o que devemos avaliar?

O mercado do boi gordo passa por uma fase de franca recuperação, com preços em alta em plena safra. Os preços do bezerro batem recordes dia após dia. O mercado interno de carne bovina continua firme, mesmo com os preços mais altos da carne bovina para o consumidor final. No mercado internacional, a forte tendência mundial de aumento de renda per capita, aumento da população e maior percentual da população vivendo nas cidades é reforçada pelos preços recordes do petróleo. Os principais compradores de carne bovina brasileira são exportadores de petróleo (países árabes, Rússia, Argélia, Nigéria e Venezuela).
28 de março de 2008

2008: o ano do mercado interno?

Os preços do boi gordo seguem em alta em todo o Brasil, em período que tradicionalmente era de safra, ou seja, oferta abundante. Os preços de reposição também seguem em alta, há mais de um ano com altas diárias. O único motivo para altas tão significativas é que a oferta está menor que a procura, pelos dois motivos possíveis: baixa oferta e alta demanda. Analisando-se a situação atual é possível que a maior rentabilidade do setor se concentre no mercado interno em detrimento do mercado externo.
21 de fevereiro de 2008

Idas e vindas da rastreabilidade mostram como precisamos evoluir

A suspensão das exportações de carne bovina in natura para a UE continua. O Brasil ainda não conseguiu colocar a questão nos trilhos para uma solução robusta e duradoura. Vale a pena ignorar esse mercado e culpar terceiros por nossos prejuízos? Países como Uruguai e Argentina exportam para UE com exigências muito similares. O que eles fazem de diferente? Suspeito que eles apenas complicam menos as coisas. As idas e vindas da rastreabilidade no Brasil mostram o quanto precisamos evoluir em coordenação entre setores da cadeia produtiva, se quisermos continuar a ser o maior exportador de carne bovina, e lucrar com isso.
1 de fevereiro de 2008

Boi gordo recua com UE, mas impacto deve ser moderado

A recusa da UE em aceitar a lista das 2.681 fazendas apresentada pelo MAPA está influenciando fortemente o mercado. Com a suspensão dos embarques de carne bovina in natura para Europa, os frigoríficos tentam grandes recuos de preço. O momento atual, de baixa oferta de gado gordo para abate, dificulta muito uma real queda do preço da arroba. No mercado internacional, a escassez de carne é grande. Os preços na Europa já subiram muito e devem subir mais. Até a Austrália, que tem preços e custos mais altos que o Brasil, deve voltar a exportar para a UE.
24 de janeiro de 2008

O boi, o brinco e a União Européia

Nas últimas semanas, a expectativa tem sido grande em relação ao futuro das exportações de carne bovina para União Européia (UE). O principal mercado importador do Brasil corre o risco de não ter mais carne brasileira, por motivos muito mais brasileiros que europeus. A situação atual é difícil de se entender: o Brasil tem dificuldade de se organizar para fornecer para o mercado que é teoricamente seu melhor mercado. Nesse mesmo momento, não se recebe notícias de que a Argentina ou Uruguai têm problemas para continuar o fornecimento de carne para UE. Se nossos vizinhos não estão tendo grandes problemas (como os nossos), de quem é a culpa dos problemas no Brasil?
3 de janeiro de 2008

Carne sobe, melhorando margem bruta do frigorífico

Desde o Natal, o preço da carne bovina no atacado se recuperou, garantindo um aumento de quase 4% no equivalente físico. No mesmo período, o indicador Esalq/BM&F subiu apenas 0,35%. Com isso a diferença (spread) entre o indicador e equivalente físico caiu R$ 2,30/@, cotado a R$ 5,11/@, abaixo da média do ano. Quanto menor essa diferença, maior a margem bruta do frigorífico. O bezerro se mantém praticamente estável, valendo R$ 485,00/cabeça no MS, assim como a relação de troca, em 1:2,44.
3 de dezembro de 2007

Produção de carne e preço do boi gordo no Brasil

Desde o final de outubro, a arroba não pára de subir em todo o Brasil, sendo cotada em 28/11 a R$ 77,60/@, em São Paulo (indicador Esalq/BM&F). A oferta de gado gordo se reduziu muito e o mercado interno mostrou sua força. Nas últimas semanas, em muitos momentos, o alto preço do boi gordo era acompanhado pelo alto preço da carne no atacado e no varejo, mais do que compensando a alta do boi. A diferença entre o preço do boi gordo e da carne no atacado, que é um bom indicativo da margem bruta do frigorífico, mostrava que a relação estava positiva para a indústria, em especial ao operar no mercado interno.
25 de outubro de 2007

Procurando entender as perspectivas da pecuária de corte brasileira

A principal mudança que a pecuária passou nos últimos anos foi o aumento da produção e aumento das exportações. O número de animais abatidos cresceu 52% de 2002 para 2006, com o abate de vacas crescendo 136% e o de bois 24%. A produção cresceu devido a adoção de novas técnicas, como confinamento, integração lavoura-pecuária e otimização da produção a pasto: melhor manejo, nutrição, sanidade e genética. A maior demanda por carne bovina e a ampliação do setor frigorífico requer mais gado gordo, que fortalece a demanda pelo produto do pecuarista e firma o preço do boi.